DreamCatcher: Prequel - Mini Album Review

7/27/2017 0 Comments A+ a-


Remontadas do nada após a infrutífera passagem do Minx pela terra, o Dreamcatcher chegou sem muitos holofotes. Não era de se estranhar, afinal, um grupo nugu advindo de uma empresa sem renome só costuma chegar aos olhos dos mineiros mais dedicados do K-pop.

Passados mais de 7 meses de seu debut, entretanto, se não lotam estádios nem recebem cachês internacionais que lhes rendam uma carreira pomposa e milionária, ao menos ganharam a atenção de quem convive no gênero e está atrás de música e não apenas de fetiches - não que elas dispensem isto. E com folgas. Se com Chase Me e Good Night as meninas já se destacavam sem rivais no topo de melhor grupo estreante de 2017, seu primeiro mini, Prequel, basicamente garante qualquer honraria moral.

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E não restrito a esta categoria, pois pouca coisa em 2017 tem sido tão benemérita quando o DreamCatcher.

Como elas não se misturam com a tecnologia da moda e preferem viver em porões escuros ao som de vitrolas encontradas em encruzilhadas, fique com o link do Youtube:



O EP começa com uma intro, elemento que tradicionalmente pouco foi de influenciar e acrescentar os álbuns, mas que encontrou sua reviravolta em 2017. Já tivemos 9Muses e Loona com boas aberturas para seus minis, ainda que não abordem idealmente a sonoridade da continuidade. Before & After é a nova integrante deste pequeno time. E pelo que conhecemos do ato até aqui, ela também parece não mostrar o que teremos a seguir. Ao contrário do j-rock, ela aposta na vertente EDM com peso, lembrando e muito a back de Undisclosed Desires, do Muse, que se não assimila a aura dark delas, não trai o misticismo pulsante que está encravado na identidade das garotas. Merece o melhor elogio possível para qualquer intro: deveria ser um full song.

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E aí entra o single da vez, Fly High. Como quem apresenta uma sonata, ouvimos suaves toques de piano, que no contexto parecem querer evocar o macabro, mas logo ouvimos os enérgicos riffs de guitarra característicos que o Dreamcatcher adotou das vizinhas japonesas. A partir daí, é a já conhecida competência e a sempre inevitável comparação com osts de anime, afinal, é onde mais temos contato com o gênero. Assim que a ouvi, postei no twitter como poderia ser uma abertura de Sword Art Online sem tirar nem por. E caso seja desfamiliarizado, basta ouvir Crossing Field, Innocence e Ignite para confirmar o que digo. Nesta premissa, o Dreamcatcher poderia mesclar-se bem num meio com Eir Aoi, LiSA e Garnidelia.



E mesmo com tantos elogios, acho que ela ainda deve a Good Night, segundo single e ápice delas até aqui. A composição entre o rock com o instrumental clássico são interessantes, mas o que falta é a agressividade latente vista anteriormente. A chorosidade dramática está em maior peso aqui, assim como o refrão menos marcante e pesado. Não critico a leve mudança, apenas como ela foi executada.

E ao contrário de Fly High, Wake Up já começa como que em um show do Tequila Baby, gastando os músculos em um vibrante riff de guitarra no maior estilo juvenil; não melódico ou firulento, e sim assumidamente jovial e agudo, como os vocais das meninas, que nunca se destacam por notas absurdas, e sim a simbiose com que atuam em meio ao instrumental. É o que o estilo pede, não mais do que isso, e portanto, muito bom. Pessoalmente, acho que deixar a canção curta e repetitiva a beneficiaria mais do que derrubar o tempo na bridge que antecede os refrões finais, e encerrá-la então com o outro de riffs diabólicos.


Lembram da intro ótima, porém aleatória? Aqui ela finalmente se justifica. pois Sleep-walking é um surpreendente D&B, algo que não lembro no K-pop - se bem que o Dreamcatcher até aqui lembra muitas coisas mais do que o pop Coreano. E ainda com o Muse na cabeça, o Techno-rock deles é novamente recordado, mas com dignidade própria. Não chega a ser uma hostilidade sonora, e sim, basicamente um lounge atmosférico que nos coloca dentro de uma rede cibernética distópica, como uma cutscene de jogo ou cenas em câmera lenta em algum sci-fi de Hollywood, destes típicos de uma banda indie alternativa.

Mas como nem tudo é perfeito, o epílogo do mini, até então uma viagem qual imploramos para não parar, sofre a gerada brusca e elas fazem o que não fora experimentado até então; caem na armadilha do K-pop de finalizar quase-tudo com baladinhas melosas de despedida. Às vezes funciona, mas quase nunca. Quanto mais que poucos grupos conseguem realmente satisfazer a tentativa de dar espaço para os timbres brilharem. O resultado do momento é irregular, pois It's Okay fica num meio termo. Não pode ser considerada ruim, mas tampouco merece um superlativo. Acho que o título fez um jus tremendo à sua qualidade. Conforme avança e se revela um rock-ballad, a força contida nos vocais tecem um leve interesse na melodia, mas ao invés de se desenvolver nisto, ela se conforma no melodrama. Se tanto falo que seus singles poderiam ser osts de animes, esta seria bem encaixada em trilhas de doramas.

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