Twice tem comeback tão esquisito que vicia por alienação.

5/15/2017 0 Comments A+ a-


Se há um chavão inexclusivo que teve origem em algum lugar mas se permetou universalmente a ponto de se considerar um termo de propriedade coletiva, é o tal do "tão ruim que fica bom".

No Kpop, isto é um charme particular, visto as trasheiras que a indústria já nos proporcionou, principalmente na época dos caixotes em MV. Aliás, o melhor capope de 2017, por enquanto, é justamente um exemplar impiedoso desta derivação: Rookie, o hino da esquizofrenia

E o que isso tem a ver com Twice, ora bolas? Pois eu te explico:

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Não se ofendam. Se derem um search no Blog, verão que Twice é um dos tópicos mais frequentes, e sem exceção, de prerrogativa defensiva e comunitária. Eu gosto do Twice, como deixei claro na Tag das Faves. Mais pelas integrantes, é claro, mas de vez em quando elas acertam. Signal desfilou marotamente no muro entre a desgraçada e o chiclete, tendo a exposição como fator determinante até que caísse dentro de meu cérebro como um vírus mortal e abobado.

É engraçado que tanto tenhamos pedido para JYP assumir a produção de um comeback das meninas e quando isso finalmente acontece, a recepção soa tão incrédula e dividida. Black Eyed Pilseung se desgastou, mas certamente teve um sucesso estrondoso na celebrização do ato, mesmo que as promoções prévias tenham sido suficientes para um burburinho desproporcional.

A verdade é que o tiozão do Kpop me parece meio inseguro e/ou desinteressado na produção. Incumbiu-se das rédeas agora que o terreno é seguro e fértil, com uma fanbase enorme e o auge dos rostinhos pueris e angelicais das 9 gurias. Mesmo assim, ano passado, ele fez um trabalho mais unânime e padronizado na comum, mas certeira Very Very Very.

Já Signal é um mar de confusão e WTFs, em um trabalho impecável de união entre o MV e a melodia. Sem querer arranjar desculpas, mas parece que o intuito foi realmente abraçar o segmento alienígena, vulgo creepy e weird. Ninguém com tanta experiência cria algo como Signal sem querer criar algo como Signal. A mira foi no incomum e o incomum se obteve. E o incomum, é claro, desperta reações mais ambíguas do que o comum, o esperado, o habitual.

Signal tem um tímido beat de house ao fundo, mas tímido mesmo, pois a superfície é uma mistureba escalafobética entre Rap, baixo, dance e pop de menininha dos infernos, em level underground de Ice Cream Cake. Até mesmo a banal letra passa impune em meio às anormalidades restantes. 

E o MV, obviamente, é preponderante na eficácia total da faixa. O esquema de adotar uma identidade pessoal a cada integrante já deixou de ser manjada para se tornar a personalidade do grupo, e aqui novamente a JYPE conseguiu esmerar em uma temática interessante aos olhos, enquanto vemos todas as meninices adolescentes em tela. Naturalmente, tudo deliberado. Não se deve levar a sério um ET de cabeça em formato de aquário - e azul.

A beleza e carisma das garotas faz o resto. E assim, esse refrão bisonho que mais parece um pré-hook acaba por soar melhor que um refrão razoável exatamente pela estranheza proporcionada, já que a normalidade, neste contexto, soaria imprópria e enfadonha. 

E então, de modo quase sobrenatural, Signal funciona. E muito. 
Jihyo eleita a BEST GIRL da era Signal. 






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