Pacotão Frenético do K(e B)-pop #11 - Atentados, Crepúsculo e a Questão Racial de Mallu Magalhães.

5/24/2017 0 Comments A+ a-


Post diferente desta vez. O intento da criação do pacotão está em seu último espécime. Para não desviar completamente do cerne deste blog, incluí alguns releases recentes e sacrifiquei o texto unitário do Loona.

Sigam e entendam. Boa leitura. Ordem de aproveitamento crescente.

iKON - Bling Bling



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iKON - B-DAY



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Seventeen - Don't Wanna Cry

 
Longe de mim dizer que acho o Seventeen ruim; que tenho algo pessoal contra eles ou qualquer ranço artístico. Mas é um grupo que não sei dizer de quando data o último comeback e poderia passar 30 meses sem aparição algum que passaria despercebido. Com exceção da fanbase, lhes falta poder de influência e logo, notoriedade. Este single, cantado pela empresa como uma maturação, não possui qualidade para merecer uma atenção maior.

Loona/Kim Lip - Eclipse



Confesso que estou há algum tempo desinteressado do Loona. As últimas month girls não me agradaram, assim como as músicas deixaram de ser petiscos atraentes. Seguiu-se uma rotina enfadonha em nossa relação. Eu via, curtia quando HaSeul aparecia, mas só. Vivi recebeu tempo e esforço inexplicável, já não a aguentava mais.

Mas o bom de estarmos no fundo do buraco, é que qualquer centímetro pra cima nos coloca mais próximos da superfície. E Kim Lip foi o vento de primavera que trouxe novamente o odor idílico a nossas estranhas. O porquê desta descrição estranha? Leiam a do vídeo que entenderão. Se este é o espírito que o vindouro grupo quer aderir, aderimos em união.

Saem as locações externas, a fotografia luminescente e fosca e a composição adolescente; entra uma garota de aparência moribunda, fatal e misteriosa, closes sexualmente abusivos e uma atmosfera elegante e notívaga para fazer jus à estrutura módica, mas ainda assim complexa do Urban R&B que é Eclipse.

Não deixem de conferir também o follow-up, Twilight. E chupa, Stephenie Meyer. 

Yezi - Anck Su Namum



É oficial: Yezi é maior do que o Fiestar. Enquanto o grupo não dá às caras, Yezi segue sua trajetória fantasmática entre solos ácidos e parcerias para mantê-la na ativa. É individualmente, entretanto, que seu verdadeiro potencial ruge a selvageria adotada na persona artística de Lee Ye-ji.

Cider já foi um debut de respeito. Aqui, a melhor rapper do cenário mainstream expande sua marca e adota o conceito egípcio, ignora o ativismo de apropriação cultural e substitui Cleópatra - ou Ankhesenamon, mulher de Tutancâmon, literalmente -  como a rainha voluptuosa e provocativa, desta vez na Coreia e sem centuriões, Astérix e Obelix.

Inutilidades à parte, é estimulante ouvir estes poucos singles de Yezi. Entre as rappers que tentam transmitir esta personalidade forte, arrogante e dominadora, ninguém faz como ela. É uma pena que a falta de nome impeça uma amostragem mais frequente e produzida.

Mallu Magalhães - Você não Presta


A indústria fonográfica andou movimentada nas últimas semanas: Paramore, Linkin Park, Selena Gomez, Ariana Grande, Harry Styles, Miley Cyrus, Camila Cabello, Katy Perry, Poppy. Se quiserem dicas pessoais, Slowdive e a trilha sonora de Arthur: A Lenda da Espada...e Mallu Magalhães.

Sim, a paulista de 24 anos que refuga o Pop e experimenta pela primeira vez a tarefa materna. A sensível e franzina moça que cativou o público com seu indie descontraído e de humanas. E agora ela está sendo acusada de racismo.

Acontece que este novo single, iniciando as promoções de um álbum que deve sair nos próximos meses, é a tentativa da cantora em marcar sua primeira participação na temática negra, algo corriqueiro nestes tempos de emponderamento e democracia cultural/comportamental. Algo que ela nunca havia feito antes na carreira. E, infelizmente, rolou uma inocência ignorante em certas escolhas de como a visão da artista e dos envolvidos foram esboçadas no projeto. Sexualização, distanciamento físico, enquadramentos por trás das grades e o endosso do negro como exótico, visão que já deveria se dar por extinta em mais de 100 anos após a abolição da escravidão.

Então, sim, acho as críticas sensatas. Porém, há um contrapeso importante e uma ignorância tão grande quanto por parte dos que a apontam o dedo - sem a relativização da boa-intenção.

Primeiro que tem havido um julgamento excessivo e polarizado nas precipitações do clipe. E ele não é só isso. Algumas acusações são insensatas e têm sido replicadas por amebas desprovidas de senso próprio.

A sexualização existe e está lá, nos corpos desnudos embebidos em óleo, assim como a ode ao exoticismo. E acaba aí. É uma representação restrita, limitante e defasada. Mas houveram exageros. O resto apenas expõe entra subversão que se impregna em uma sociedade em rumo à paranoia do ativismo, onde a pós-verdade predomina, o culto ao ódio se sobrepõe à qualquer religião e o raciocínio se enubla.

Quando o MV saiu, o comentário mais curtido na publicação do Facebook, condenava a postura da artista, enquanto atacava sua falta de autocrítica e evolução. O comentário era de uma negra. Participar de uma minoria, vejam, não nos blinda de intolerância, equívocos comportamentais e até preconceito. O que entristece é justamente uma pessoa que participa de uma minoria discriminada converter suas experiências em ignorância ao outro, por mais que haja algo a ser corrigido. Aí está o erro. A canalização concentra-se em matizes negativas, não positivas. Incentiva o confronto irracional, não a conscientização em si. 

O primeiro caminho quando nos deparamos com algo que demonstra gosto duvidoso é indagar a razão daquilo, instruir e explanar com fazer melhor. Esnobar todo o trabalho de um artista e realizar uma inverossímil crítica à sua trajetória é desoneste e iracundo.
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Pois, vejam só, "Você não Presta" é justamente uma súplica ao anti-preconceito. Todo mundo será convidado à festa (independente da orientação sexual, raça, religião e até fãs de iKON). Menos você, porque você não presta, e é no momento em que estas palavras são proferidas que dois takes dos negros por trás das grades são mostrados. A visão do preconceituoso. A própria Mallu é mostrada nestas grades posteriormente, mas não por trás, o que possibilita a percepção de vilania (não incluirei prints para obrigar os interessados a assistirem o clipe e não cometerem o erro de replicarem opiniões de terceiro sem contato ao material etiológico). 

Quanto ao distanciamento, que muitos acusaram de promulgar a superioridade branca da cantora, é de rir. Fica clara a falta de nitidez empregada na argumentação sinuosa em busca da vitória. Se verem em blogs, mostram quadros onde ela é o foco. Há quadros assim, mas obviamente não são todos. Em vários momentos, Mallu é mostrada em meio aos dançarinos, inclusive a performar os mesmo passos. E se você acompanha este blog por kpop, não preciso dizer por que ela é mostrada com foco principal. A música é dela, afinal. Muitos grupos e principalmente solistas utilizam trainees, modelos, atrizes e bailarinos para compor o espaço de seus vídeos. É o papel de coadjuvantes, com seus momentos de protagonismo. E a opção da raça apresentada aqui é justamente pelo intuito inclusiva da música.

E isto está também em seu arranjo, uma miscigenação entre kuduro, samba e afro-house. Aí você pode se perguntar: "Se o objetivo era enaltecer a igualdade entre raças e a idiotice do preconceito, por que não deixar apenas os negros como protagonistas do MV?" Pois aí se quebra a missão de gregarismo entre diferentes e polariza o nicho.

Podem pensar que estou apenas defendendo quem eu gosto. Estaria mentindo se dissesse que não há o lado pessoal envolvido. Mas é aspecto diminuto. Também faço parte de minoria e acho que esta irresponsabilidade em acusar representatividade sabota a luta e mune os adeptos de chavões pejorativos da naipe "SJW" e "Geração MiMiMi".
Sidney Poitier, primeiro negro a ganhar o troféu em 1964, foi homenageado com um prêmio honorário na mesma noite.

"O ódio é a vingança do covarde", disse George Bernard Shaw. Entendem? Batalhem, lutem. Mas saibam quando o material dissemina a intolerância e quando é questão de falta de tato. Critiquem. Apontem as incoerências (pois elas existem no clipe). Não depredem. Se não, os intolerantes serão vocês. 

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É isso aí. Conto com vossos comentários sobre o tema abaixo. Abraços!

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