O que faz de alguém um fã?

2/11/2017 0 Comments A+ a-

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Eu estava tendo uma madrugada normal. Diria calma, mas minha mente me impossibilita disso, pois a serena aparência esconde uma psique que se assemelha a uma guerra caótica, hiperativa e em incessante troca de informações; novas, inúteis, filosóficas, sobre comida, futuro. Não há restrições ou preconceitos. É incontrolável.

O nome do Blog não é à toa. Confiem no que digo.

E entre essas pequenas linhas que desfilam emaranhadas, uma brilhou mais forte: o que, afinal, faz alguém fã de algo?

*Antes de mais nada, quero deixar claro que não se trata de um texto conclusivo. Vocês não verão uma fórmula mágica aqui sobre a significação da palavra fã. Apenas peguei uma situação que me ocorreu e expandi para gerar o debate. É isso que encontrará caso se aventure no longo percurso que está abaixo. 
Calma. Não é uma questão surgida totalmente a esmo. É algo que debati internamente há alguns meses, e agora clama por espaço novamente. Falo de meu sentimento por Twice. Sim, o grupo de meninas do JYP, o tio que tinha meu respeito até algumas semanas atrás, mas perdeu uma boa quantia dele após o disband do Wonder Girls e um forte indício de que o miss A segue o mesmo caminho.

Não dei tanta bola pra Twice em seu debut. O post aqui não ocorreu pois a temática do Blog ainda não incluía K-pop. Inclusive revoltei-me quando elas levaram o MAMA de revelação contra o Gfriend - ainda acho injusto, mas a ojeriza não é mais a mesma -, mas tratou-se de uma fúria efêmera, tão passageira quando a brisa da tarde.

No ínterim que separou Ooh-Aah de Cheer Up, não me recordo de jamais ter pensado no Twice com algo além de indiferença. Não procurei notícias suas, não segui fanbases. Não havia entusiasmo. Era genuinamente desinteressado na matéria. E Cheer Up, em sua razoável qualidade, pouco acrescentou em minha opinião. 
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Na época, porém, estava, quase que por osmose, mais antenado ao projeto do JYP; quem eram as integrantes, seus países e até personalidades. Sendo um habitante do universo do capope, por vezes sofremos do efeito colateral da retenção de informações por fragmentos obtidos aqui e ali. Isso se dá, é claro, quando ocorre um certo alarde envolto a algo. Foi basicamente assim que, inconscientemente, aprendi quem é quem em EXO e BTS. Twice entrou no time.

Sou um cara de mente aberta, entretanto, e deixei de lado qualquer ranço com as gurias. Há de ter alguma razão para tamanho sucesso. As músicas não são. Como vivemos neste meio curioso do K-pop, onde nem sempre o esmero musical é o fator preponderante na avaliação e consideração de um artista(s), resolvi apostar na segunda provável opção: o carisma.

Antes de perscrutar caracteres alheios, porém, me deparei com um dos principais motivos para seu sucesso. Não é nada complexo e só me escapara pela pouca atenção que dava ao ato. Disserto aqui da beleza, este "pecado" disfarçado, engodo que nos cega e distorce. Ou eu sou muito mais fútil do que imagino, ou somos todos condicionados a uma simpatia imediata ao que é belo. A paciência é maior, a curiosidade, a amabilidade com que torcemos e julgamos as ações deste alguém. Não devemos ignorar princípios e o senso moral do aceitável (não o subjetivo, mas o óbvio). Não é porque alguém é esteticamente privilegiado que devemos conceder anistia para ser um canalha. Entretanto, talvez haja uma intrínseca pendida para que este alguém não seja um miserável, de que sua beleza externa seja reflexo do interior.

Não sei bem o que estou fazendo aqui. Os dedos parecem ter vida própria na redição. A intenção do parágrafo é, com floreios ou não, dizer que, minha nossa, como é belo o Twice. São 9 unidades distintas e cada qual com suas atrações. Um rosto estático não diz muito, mas conhecendo o K-pop há tanto tempo, não há mistério nem ultraje em afirmar que ali estava um fator considerável no forte e caloroso abraço que a Coreia dava a elas. São, afinal, a essência da etimologia Idol; belas e jovens.
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Como pede a tradição, então, os olhos iniciaram sua busca pela Bias. Sem saber nada, o terreno era fértil e convidativo para tal. Nayeon, com seu sorriso inocente e com uma certa malícia escondida foi a escolhida. Mas era apenas o primeiro passo.

No calendário, o tempo era de transição. As folhas e ventos do inverno cessavam para o início da florida e alérgica primavera. Neste ambiente alegre e colorido, de imagética condizente com o espírito do Twice, experimentei sensações curiosas. Eu percebi, reconheci, que não mais era indiferente a elas. Eu tinha vontade de conhecê-las, adentrar em seu pequeno universo, mergulhar no fenômeno.

Era Outubro. Leitores que já me seguiam à época podem não ter percebido, mas neste período em que minha afeição ao ato crescia, surgiram numerosos posts sobre o grupo por aqui, muitas vezes na possibilidade do debate, qual vocês sabem que aprecio, mas também no cálido desejo de comentar sobre. E quando temos o desejo por algo é, ora, porque gostamos deste algo.

O anúncio do segundo comeback foi a fagulha que faltava. Eu precisava saber mais sobre antes delas voltarem à cena. Tudo indica que estão aqui para ficar, então não seriam um esforço em vão - me dando a liberdade de dizer que decorar nomes e hobbys de quem mora do outro lado do Oceano não seja um tremendo desperdício de tempo e acres mentais.

Weekly Idol, Instagram, Vlive, espiadas em momentos do Sixteen e o que quer que eu achasse pela web. Eu estava fissurado. A leitura pode fazer parecer que foi algo rápido e até doentio. Mas não. Foi um processo módico, paulatino. Inesperado sim, mas fruto do tempo. Inteirar-me melhor e retirar a palavra "desconhecido" da cadeira contígua ao Twice eram tarefas prazerosas. Alguns poucos dias antes de TT, já estava plenamente platonicamente apaixonado por Momo e com empatia vigorosa ao menos para com Sana e Nayeon.
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Assim, em 16 dias, foram incríveis 6 posts tendo o "novo grupo da nação" - alcunha que não concordo - como tópico. Escrevi sobre a expectativa para o novo single, o estrondoso sucesso delas, a incipiente rivalidade com o Blackpink, sobre TT, é claro, a onda de hate do #AntiTwice e então sobre a suposta entrada de Somi para fechar a dezena de integrantes.

Veja bem que, como sempre prego, amor não deve enevoar o senso crítico. Qualquer cidadão que tenha forte ligação - leia-se parte do fandom - de um grupo sabe que a predisposição a gostar de qualquer quinquilharia despejada por suas faves é maior. Critiquei e elogiei TT à medida do possível. E sublinhei algo que acho preponderante sempre que o nome do Duas Vezes entra em voga: Twice é um bom girlgroup, porém, não a ponto de merecer a celebrização (para plagiar o título do texto sobre TT) que recebe.

Não fosse esse enaltecimento digno de gênios, elas certamente não atraíram essa levada tão ambígua de feedback, não despertariam tanto ódio. O sucesso é a maior das ofensas, afinal, e num nicho onde a injustiça é mais habitual que o contrário, ainda mais aos olhos de fãs, o desproporcional êxito de alguém que só possui 3 singles e 3 minis é um ímã à olhares tortos.

Mas foi justamente essa divisão de concepções sobre o Twice que me fez ter um prisma mais claro sobre minha relação com as filhas do Park Jin-young. Não apenas eu gostava cada vez mais do ato tanto musicalmente quanto empaticamente, como sentia uma forte inclinação à defendê-las. Isso se deve também ao fato de não acho o desprezo o caminho certo a nada. Existem celebridades quais não gosto, mas atacar e humilhar não é a resposta para nada. Porém, mais do que uma questão moral, meu propósito era quase pessoal. "Estão atacando o Twice, estão me atacando." Vou protegê-las para me proteger.
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E quando é que você se sente pessoalmente difamado, ferido por frases direcionadas a terceiros? Quando o sentimento é como se falassem de um familiar ou amigo próximo.

No mundo do entretenimento e entre nomes que nem sabem de sua existência, no entanto, temos isso de quem é fã - o sentimento é o mesmo ao de próximos, mas inalcançável e mais abrangente, muitos o compartilham.

Seria eu um novo Once?

Pelo que escrevo, parece que sim, mas também não gostaria de colocar os termos em descrições tão extremadas. Afinal, o que é ser fã de algo?

É comprar tudo que relacionada a elas, virar um brutamontes neandertaloide irascível virtual para digladiar, pensar sobre seu vício o dia todo, atualizar as fotos de perfis com seu(s) rosto(s)? Claro que não, a menos que você seja um adolescente disfuncional e carente de maturidade.

Nada disto também está errado caso faça, mas atribuir quantidade à adoração por materialismo e irracionalidade é tão besta quanto desrespeitar a crença alheia pelo simples fato de discordar. Eu tenho 21 anos, desde 2010 no K-pop. Neste tempo, conheci inúmeros idols e passei por várias fases, mas foram pouquíssimos os objetos que adquiri, não deixei de comparecer a aulas para ver uma premiação ou alguma live nem dispendi esforços hercúleos e espalhafatosos para manifestar minha adoração. O que bastava era eu saber que meu sentimento era inexprimível, desigual e maior em comparação ao resto.
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É, como supracitei avulsamente acima, algo especial, direcionado àqueles qual você tem algo próximo. Não algo vulgar, e sim digno de apego; a torcida invisível por vitórias em Raul Gils e recordes no Youtube e de vendas, mesmo tendo pouca colaboração, o sorriso imensurável ao ler que tal membro vai "debutar solo", a disposição de participar de comunidades e discutir sobre temas que a olhos externos soam incongruentes.  Você não é fã porque quer. Você é fã porque não consegue ser outra coisa.

E ser fã não significa também considerar seus protegidos perfeitos e infalíveis. Muitos fazem isso, e os mais calorosos, como foram os Sones no passado, estigmatizam toda a comunidade, o que causa uma generalização por causa de alguns afobados. Isso acontece em qualquer torcida, na verdade. Pode ser difícil admitir que aquele que você tanto preza é falho, mas simplesmente é. É um humano. Minha utt (não curto esses termos, realmente não) é Bae Joohyun, Irene do Red Velvet. Porém, seria estupidez tremenda dizer que se trata de uma rapper excepcional. Quem canta melhor no f(x)? Luna, obviamente. Minha favorita é Krystal. São assim que as coisas funcionam, num processo quase inconsciente que nos estreita a uma pessoa específica de determinado grupo ou ao conjunto completo, em uma misto de simpatia por sua personalidade, mas também com uma dose mística, como se alguém nos batesse na cabeça o nome deste artista(s), mesmo que reconheçamos suas limitações.

Essa conformidade e sensatez para admitir as imperfeições do Bias, aliás, torna a exercício do stan mais saudável. A expectativa é comedida, evitam-se batalhas agressivas pela web e a argumentação flui de maneira inteligente.
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Outro aspecto que me chama atenção tange à utilização da palavra. Há uma banalização do vocábulo fã, parecido ao de craque nos esportes e de gênio nas artes. BlackPink nem havia debutado e já haviam fanbases, gente se esgoelando na web falando que x guria dançava melhor e era mais bonita que outra tal, com a indignação de quem presenciara alguém morrer por inanição.

Esse excesso diminui seu poder e representatividade. Fã vem de fan, abreviação de Fanatic, o fanático, que, segundo o dicionário informal, pratica alguma coisa de maneira apaixonada.

Não sou fiscal de nada e não se sintam ofendidos ou oprimidos pelo que digo aqui, mas sejam coerentes e sensatos na hora de se atribuírem tal termo. Valorizem o que vocês mesmo fazem parte.
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É por isso que, apesar destes milhares de dígitos, ainda não me afirmo um Once. Não as posso colocar no mesmo degrau de SNSD e f(x), nem do de AOA, Red Velvet e até Gfriend. Eu, definitivamente, tenho um apego crescente para essas 9 notáveis e brilhantes garotas. Estou constrangedoramente ansioso para o vindouro comeback, em um misto de fulgor e tristeza, pois quando o dia chegar, as aulas também estarão mais próximas de seu comeback. Acho apropriado dizer que elas são as primeiras na porta que separa o corredor do quarto dos faves, onde também existem diferentes fileiras de acordo com a intensidade da chama. Qual a contribuição da exposição midiática nisso? Sei lá, mas aconteceu. 

Elas batem com força, não nego, mas entrar no aposento é a maior honra que eu, em minha mediocridade, posso dar a alguém, e ainda, ainda, não é hora de girar a chave. Espero, porém, que elas me forcem a mexer as mãos.
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E é isso, prezados Delirianos. O intuito do post não é definir quando se é adequada a utilização de fã, e sim instigar o debate livre e subjetivo de vossa impressão do que faz alguém inserir-se em uma fanbase e por quais razões, tendo como cerne minha relação com o Twice. Então aproveitem o reino dos comentários para opinarem acerca do tema.

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