DreamCatcher debuta com um inesperado - e bacanudo - anime song.

1/13/2017 0 Comments A+ a-


Debutou. Chegou. Aconteceu. Está aí. Finalmente a estreia do DreamCatcher (é junto, separado??), este girlgroup que comoveu a todos no início do ano, atraiu atenções exageradas e estimulou inclusive a precoce formação de fanbases nacionais, usernames no twitter e talvez até pensamentos eróticos. Nada tão disfuncional. Ao menos, penso que muitos destes aficionados tenham algum apreço advindo do extinto Minx. Caso contrário, apaguem o fogo.

Eu, como velho cansado e calejado, não mais crio expectativas pra quase anda (menos pro solo da Krystal, se se confirmar), e como não vejo teasers, sabia nada disso exceto o furor causado pelos meus companheiros tuiteiros. Não precisa ser um gênio para imaginar que viria algo relacionado a horror pela data da escolha do release, mas nada me preparou para o que realmente Chase Me é:



Um anime rock song. Enquanto refletia inutilmente sobre como seria este debut, discuti internamente se seria algo análogo do que o Minx fazia, que era um Pop de menininha bem viciante, ou realmente tentariam algo novo para afugentar o máximo sua imagem anterior. A escolha parece óbvia, mas nunca se sabe. Porém, é claro, pelo cenário em que estamos inseridos - do Pop Mainstream Coreano -, era inimaginável um girlgroup chegar com este estilo totalmente inspirado em bandas de jrock. 

Caso envie isso para um otaku musicalmente leigo, aliás, é bem provável que ele vá a considerar como abertura ou encerramento de algum anime qualquer. Faça o teste. Não digo o mesmo de vocês pois creio que já consigam diferenciar os idiomas entoados, mas sonicamente, a semelhança é notória. Não vou incorporar trocentos vídeos aqui não, mas cito nomes em que você rapidamente notará a semelhança, mesmo sendo vocais masculinos ou solistas: Stereopony, Scandal, Band-Maid, LiSa, Eir Aoi. Asian Kung-Fu Generation, One Ok Rock, Nakanomori Band. Em níveis menores, BabyMetal e the GazettE, que aderem a um estilo mais espalhafatoso e pesado. Entretanto, as similaridades estão lá. 

Com tudo isso quero dizer apenas que não há novidade em Chase Me. Mesmo no cenário coreano, podem encontrar um contraponto interessante no F.T. Island. Entretanto, é algo insólito ao sul do paralelo 38 e que certamente fará um grande tumulto em quem não acompanha a indústria japonesa. E isso é bom. Essa diversificação e ousadia de tentar popularizar algo pouco familiar aos korebas faz bem ao mercado, cada vez mais singular e amorfo. 

Ainda tenho meus aquéns à canção. A build-up é fantástica. O início pelo teclado e o crescendo conforme avançamos nos versos e troca de timbres, até atingirmos os acordes de guitarra, são inebriantes, mas a explosão do primeiro refrão não entrega totalmente o que se esperaria pelo que fora criado até ali. E curiosamente, após o first climax, a faixa se encontra, ainda na alternância de tons maiores e menores, mas sem tanta diferença entre eles, com riffs mais frequentes, que mantêm a sensação agitada e feroz, o que é, novamente, algo bem típico de seus colegas nipônicos. É uma repetição de fórmula em outro contexto. Em aspectos gerais, fica devendo, e por isso mesmo, espero que tenha sucesso para as meninas amadurecerem e nos brindarem com produtos melhores e mais experientes em breve.

Já o MV é um excelente acompanhante para o que ouvimos. Não é um terror descarado, algo como Married to the Music, Voodoo Doll ou Monster, mas utiliza bem de figurinos e cenários sinistros e decrépitos, com forte inspiração no hotel inóspito de "O Iluminado", dirigido por Stanley Kubrick, em 1980, baseado no livro homônimo de Stephen King. A história, pelo que entendi, é um investigador a perscrutar uma mansão mal-assombrada onde estas meninas devem ter sofrido algum ato bárbaro. Enfim, como dizem o letreiro final, continua. Ansioso por isto. 

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