Afinal, quais as gerações do K-pop?!

1/28/2017 0 Comments A+ a-

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Muita gente me pede isso. Posterguei pela trabalheira que daria, mas neste ócio de férias, achei interessante ao menos tentar fazer um compêndio maneiro para leitores novatos no assunto e veteranos que nunca se depararam com um texto tal qual para discutir e debater melhor esse assunto das gerações do K-pop. Afinal, quem são? Como se dividem? O que marcou cada uma?

Em suma, é necessário fazer um pequeno apanhado de como surgiu isso tudo, mas pequeno apanhado mesmo, pois daria um post próprio e você pode achar textos mais completos e interessantes sobre por aí.

Quando a Coreia abriu suas fronteiras comerciais ao Japão, permitindo a entrada da cultura nipônica no país, para preservar sua identidade e criar uma fonte de comércio interna, iniciou um processo massivo culturalização, inclusive musicalmente, e aí surgem os Idols korebas, ideias emprestadas de outras culturas. A fonte de inspiração maior, curiosamente foi nos vizinhos japoneses, que nutrem o termo Idol desde os anos 70, em crescente popularização. Vale ressaltar que, por mais ofensivo que soe, a palavra denota, em origem, justamente adolescentes em grau artístico menor, conteúdos mais facilmente absorvidos, sem grande profundidade ou complexidade, voltados a um público mais adolescente. Isso tem mudado com o tempo, mas surgiu assim.

Obs: todas as canções mencionadas estão com link redirecionado ao Youtube.

Primeira Geração (90s - 2000) 

O processo começou mesmo no final dos anos 90, mas foi em 1992 que surgiram os grandes precursores modernos de tudo, o Seo-Taiji and Boys (que, vale dizer, tinha o YG como membro), que trouxera à Coreia a onda já iniciada em regiões como o Japão e no Ocidente, que já vinha em grande vertigem de celebrização desde o final dos 80, com grupos como New Kids on The Block, Boyz II Men e NKOTB. O K-pop, vejam, nunca pregou originalidade, e sim uma invejável capacidade adaptativa ao cenário em que esta inserido.

Ao contrário do trot e canções mais ~tradicionais~, Seo Taiji e os guris chegaram com um avassalador e grudento Pop, entremeado por Dance, Rap e Rock com o passar dos anos, o que chamou muita atenção da juventude local, os tornando um sucesso avassalador, tipo o KLB Coreano. Não era algo universalmente novo, mas territorialmente ousado; síntese ainda presente, em menor grau, no Pop Coreano.


O fim foi precoce, em 96, mesmo ano do início da YGE. Mas o efeito já era sentido. A sucessão se deu início um ano antes, com o H.O.T, fenômeno da SM. E neste pequeno espaço entre 95 e 98, com uma maior liberalidade do governo, o novo milênio a chegar e a inerente influência externa devido aos avanços tecnológicos, surgiram não apenas a empresa escravizadora, mas também a JYP, que completou a big three em 1997 e teve seu primeiro estrondo com o g.o.d, em 99. Já a DSP Media, criada em 91 (então Daesung Ent.), ganhava força como um tornado devido o sucesso do Sechskies (97) e do FIN KL (98), que, travavam rivalidades épicas com os atos da SM: H.O.T - posteriormente o Shinwa - e o SES, disputa que contribuiu para o crescimento mútuo de ambos. Assim, surgiram também fandoms numerosos e raivosos (dica: Reply 1997). 

As mudanças já eram mais perceptíveis, com mais orçamento e um lado inegavelmente comercial e jovial, com MVs coloridos, visuais espalhafatosos, garotas inocentes e recatadas, o mais chamativo possível, tendências da era, como vimos por aqui com 'N Sync, Backstreet Boys e, é claro, as Spice Girls. A influência do Bubblegum Pop e R&B era visível.

Dica Contextual: O K-pop que você conhece vai acabar? Uma análise do que está mudando na indústria que conhecemos.

E o Brasil? O Brasil tinha os maiores de todos, os Mamosas Assassinas.

Um diferencial desta geração é a curta existência da maioria dos grupos, mesmo no auge da glória. Se por um lado isto os envolveu numa áurea mais mística e deixou muitos ávidos por mais, o que, por exemplo, permite esses reunions atuais, frustrou imensamente seguidores fieis. Imagine, hipoteticamente, EXO e BTS acabarem daqui alguns meses. Foi mais ou menos assim, mas com o agravante de menor disponibilidade de nomes no mercado para suprir qualquer carência.

Esta foi a primeira geração, grupos iniciados nos anos 90. 

Principais nomes: HOT, SES, Sechskies, Fin KL, Baby VOX, Deux e Shinwa.

Canções Marcantes: White, I'm Your Girl, Candy, Nan Arayo, To My Mother, Now, Blue Rain, Be Natural, Couple, Chivalry, Eusha! Eusha!


Segunda Geração (2001 - 2008)

A Segunda geração tem uma história mais longa e lenta. Se formos definir anos, eu diria que se encaixam aqueles que debutaram entre 2001 e 2008. E aí é bom ressaltar uma pequena menina que, estreante em 2000 com apenas 13 anos, ainda uma criança, foi um grande fenomêno e pioneira na onda Hallyu - BoA Kwon. Com seu primeiro LP nipônico, Listen To My Heart (2002, com alguns singles lançados em 2001), ganhou certificado de um milhão de cópias comercializadas e a honra de ser a primeira artista coreana Top 1 na lista de mais vendidos da Oricon. O início de uma história bem-sucedida, já que após sua estreia, foram mais 7 álbuns japoneses.

Nesse ínterim de transição, onde as empresas ainda pareciam estudar qual o próximo passo a dar, a SM novamente tomou a frente com o TVXQ, que além de pegar o público carente de seus predecessores, montou na carona de BoA ao Japão, uma relação tão amistosa que mesmo após a retalhação interna que o grupo sofreu, a dupla remanescente continuou com boas vendagens por lá - isso até a ida ao Exército.



Os os girlgroups? Seus stans não seriam felizes nesta época, pois ela foi majoritariamente ocupada por ticos. Super Junior e SS501 em 2005 e o BigBang em 2006 foram os grandes debutantes. A reviravolta pro lado que mija sentado se deu 2007, com SNSD, Wonder Girls e o KARA. É engraçado notar como a sonoridade desses grupos, apesar de nos aproximarmos do final da década de 2000, era mais semelhante ao que víamos até uns 5 anos atrás. KARA e SNSD, principalmente, seguiam muito do que suas tias do Fin e do SES faziam, mas com mais sorrisos e carisma. Ambos foram arrombos no Japão e construíram boas carreiras por lá. Esse foco monetário na terra do Goku, porém, sabotou o KARA, já que foi um dos fatores que contribuíram pela sua decadência até um melancólico disband ano passado, com pouquíssima lamentação. O Japão ganhou mais e mais força no mercado interno de Idols, e com essa crescente, o interesse na Hallyu Wave diminuiu. Assim, o KARA ficou sem suporte em ambos locais.

Mas antes do descalabro, a evolução foi rápida. As Soshis aperfeiçoaram seu pop de menininha com OH! e Gee, KARA regrediu da postura mais série de Break It! para também adotar músicas chicletes, o que lhe trouxe prestígio, enquanto as Garotas Maravilha tentaram levar o Hallyu aos USA após Nobody aparecer na Billboard Hot 100, onde seguiram o caminho da BoA para fracassar de modo retumbante.. 

Principais nomes: SNSD, KARA, Wonder Girls, BEG, Super Junior, TVXQ, SHINee e BigBang.

Canções Marcantes: Into the New World, Tell Me, Haru Haru, Replay, One More Time, Irony, So Hot, Nobody, Lies, Lovesick, Don't Don.



Terceira Geração (2009 - 2011)

A terceira geração iniciou em 2009, e mesmo que grupos mais fofos ainda estivessem em voga, por um período, foi a justa contraposição deste conceito que encontrou seu lugar nos braços do povo, principalmente o 2NE1, que foi vendido como a versão feminina do BigBang, que acumulava recordes com seus Harus da vida. Mesmo com os excessos irritantes de autotune, elas fizeram suficiente para bater de frente com o SNSD e por vezes até barrar estas, a despeito de nunca terem emplacado com ênfase no Japão. No Ocidente, no entanto, construíram uma grande fanbase, oportunidade nunca aproveitada pela YG. 

O 4Minute teve estrada até chegar num Volume Up, mas Muzik também reforçava essa nova identidade dos grupos, acompanhadas pelo miss A e seu Bad Girl, Good Girl. 

É importante dizer que uma nova geração não denota um 180º geral, e sim algum precursor que acaba por influenciar seus arredores. Como a diferença de anos é ínfima, claro que conceitos anteriores continuaram presentes, mas não mais a domar toda a indústria.



Já grupos como T-ara, Nine Muses e Rainbow fugiam do comum com pancadões e faixas que evocavam disco e eurodance. O T-ara, inclusive, foi um dos principais grupos até o escândalo com Hwayoung, que causou uma mancha indelével e basicamente as matou na Coreia. 

Os boygroups tiveram sua vez com BEAST e Infinite, mas SHInee, SuJu e TVXQ também se adaptaram bem com seus visuais semi-keis emos em Mirotic e Lucifer e as farofonas masters Sorry Sorry e Senhor Simples.

Principais nomes: 2NE1, 4Minute, Infinite, Beast, miss A, T-ara, Apink, f(x), Block B, Sistar, Nine Muses, Girl's Day, Orange Caramel.

Canções Marcantes: Roly-Poly, I Am The Best, Hate You, Cry Cry, You Drive Me Crazy, Bad Girl, Good Girl, Goodbye Baby, Gee, Genie, Oh!, Hoot, Fiction, Nu Abo, Sorry Sorry, Lucifer, Mirotic, Abracadabra, Lupin, Good Day, The Boys, Be My Baby, StepShangai Romance, Hurricane Venus, Mr. SimpleTroublemaker, Hot Summer, Can't Let You Go Even If I Die


Quarta Geração (2012 - 2014)

A quarta geração se inicia com o tal do Gangnam Style, em 2012, cômica e desintencionalmente, levou o Kpop ao mundo mesmo que de maneira jocosa e que muitos nem saibam se tratar de Pop Coreano. O que vale é que, sim, expandiu bastante a marca, trouxe fãs e mudou a abordagem de muitas empresas, que ao invés de socar seus Idols de qualquer maneira no mercado americano, começaram uma transformação mais suave dentro do próprio mercado, com uma Ocidentalização desprezada por muitos, mas inegavelmente importante para a popularização do gênero. O foco estrangeiro deixou de ser apenas o Japão, que abraça cada vez menos o Pop de seus vizinhos. 

É só ver como não apenas atos veteranos mudaram sua aparência, como os novos surgidos, tais quais os fenômenos BTS e EXO, não mais apostavam em cabelos arrepiados, roupas de anime e vozes de robô. O hip-hop se acentuava, Infinite, BEAST e VIXX tiveram seus auges com canções dramáticas e chorosas, enquanto girlgroups seguiam duas vertentes princpais: após um início flop, Girl's Day , Sistar e AOA, em períodos diferentes, encontraram o estrelato mostrando suas pernas e decotes, o f(x) se assumia como ato experimental e o Apink subia andares salteados com seu Aegyo divisor de águas.

E em contramão a cada vez mais ignorada classe de solistas, os rappers, novatos ou experientes, conseguiram mais luz: Zico, Eric Nam, DEAN, San E, MadClown... São nichos e grupos dissonantes juntos em uma mesma época. Então, reforço a afirmação seguinte: uma nova geração não denota vários grupos em mesmos ideais, e sim uma renovada de atos e conceitos, no plural.



Claro que apesar de uma maior universalização estética e sonora, ainda haviam resistes internos, tipo o Orange Caramel e seus MVs esquizofrenicos, porém viciantes, e canções que puxavam referências de trot, disco, pop e basicamente tudo. 

Eu diria que o Red Velvet é como uma ponte. Apesar de debutar em 2014, as meninas tiveram mudança de line e encontraram maior estabilidade em 2015, com os hits Dumb Dumb e ICC. Espiritualmente espécimes da next generation, o que já indicava nos ares.


Quinta Geração (2015 - Presente)

E em 2015, para este que vos escreve, já podemos iniciar uma nova geração do K-pop, a quinta. A ocidentalização segue forte, e é só ver o tanto de PBR&B e variantes de EDM por aí, principalmente o House, que está a toda por nossos lados. O sexy concept perdeu terreno e até mesmo o Aegyo tem se revitalizado nas mãos do Gfriend. Atos de segunda e terceira geração estão definhando aos poucos, como vimos nos recentes fins de 4Minute, KARA, 2NE1, Rainbow e Wonder Girls. Além disso, outros, como miss A, Secret e After School, estão basicamente enterrados, enquanto o coveiro apenas não termina o serviço por preguiça. Ou seja, com poucas exceções, velhos conhecidos não conseguem mais se adaptar com facilidade, incapazes de competir com novos rostos. 

Esta nova passagem é a mais forte e ~polêmica~para vários capopeiros, pois, como disse, desde 2012 a fanbase aumentou muito, Somado aos mais antigos (eu, há), são uma quantidade grande de fãs que presenciam uma mudança radical da indústria, sonora e visualmente. É algo natural em qualquer sistema, ainda mais num de Idols, onde juventude, beleza e inocência são tão importantes - não à toa, o girlpower está em desuso.



E a já mencionada Ocidentalização tem dado frutos. Pudemos ver debuts americanos como da CL e Ailee, apesar da segunda ter tido um planejamento ridículo, e também algumas parcerias esquisitas, porém bacanas, como AOA e Jonas Blue e Wendy com Ricky Martin. É a aproximação de dois mundos. 

Pode ser que você não se encontre neste novo K-pop, com Twice, OMG, Gfriend, WJSN e Blackpink, pode ser que sim. Se você conheceu o estilo em 2012, com 12 anos, por exemplo, se passaram cerca de 5 verões, e são mudanças consideráveis para qualquer adolescente/jovem. Eu, particularmente, já tenho alguns grupos que me fazem ter vontade de continuar a acompanhar os lançamentos e escrever este blog, mesmo que a individualidade não seja mais a mesma de outrora. 

Principais nomes: Twice, Gfriend, iKON ( :/ ), Blackpink - em construção.

Canções Marcantes: Rough, Me Gustas TuDumb Dumb, Ah Yeah, Bang Bang Bang (infelizmente), Call Me Baby, TT, Dope, Blood Sweat & Tears, I, Crazy, 23, 4 Walls, I Feel You...


E é isso, meus queridos. Eu dei uma resumida no post, como puderam ver, sem tocar em todos os grupos possíveis, mas acho que a mensagem ficou clara: uma geração muda quando são notórias as diferenças do modus operandi da indústria, seja na revitalização sonora ou dos nomes que a regem. E isso é, vale dizer, minha visão pessoal. Se pesquisarem por aí, poderão ver outras divisões de gerações. De qualquer forma, é um ponto de partida.

Deu trabalho este post. Façam rodar, plz.

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