Se você ainda aguenta Dancehall, o debut do K.A.R.D é uma ótima forma de encerrar o ano.

12/12/2016 0 Comments A+ a-


Não minta, você provavelmente foi um dos que desconfiaram rapidamente quando a DSP agendou o debut de um grupo co-ed agorinha em 2016, essa combinação que já poderia ser dada como enterrada tamanho o desastre comercial que costuma ser - Co-ed School, AXIZ, F1rst, com exceção do Sunny Hill, que teve um começo de década bem frutífero antes de perder pra jovialidade de novas gerações....Os maiores êxitos atuais neste quesito são atos de não-idols, como Urban Zakapa e o MFBTY. 

O resumo é: eu, fosse produtor, no contexto atual, jamais voltaria a apostar no gênero. E se fosse artista, não gostaria de participar de algo que parece fadado ao fracasso.

Mas como a DSP encontra-se no fundo do poço e em uma situação de desespero tremendo com o fim de seus atos principais e incapacidade de alavancar novos produtos na indústria, apenas um BOOM inesperado e fora do padrão para chamar atenção do público. Assim, nasceu o KARD, que já surgiu errado com esse nome tão afoito para trazer à mente o nome do KARA e criativo quanto as piadas do Praça é Nossa. Confira aí:



E é curioso que para estrear seu novo ato e fugir da mesmice, tenham escolhido justamente uma das sonoridades mais hiper-saturadas do mercado: o Dancehall. É como se dar uma rasteira e evidencia o quão oca é a cabeça dos responsáveis por gerir a empresa hoje em dia.

Porém, como diz o título, se você ainda não entrou em colapso após tanto ouvir coisas como Sorry, Work, Lean On, Luv, Don't Believe, Playing With Fire e etc, certamente irá se empolgar com Oh NaNa, que não revitaliza em nada a proposta, mas é um esforço agradável dentro dela.

Com um visual de clube noturno e soturno, recheado de luzes vermelhas que parecem saídas da SM, que gastou a cota anual do filtro em Free Somebody, Monster, Born to Be Wild, NCTs e provavelmente outros releases que não lembro, a faixa casa bem com o clima de festas tropicais - não que eu frequente isso.

A dinâmica entre vocais ficou fluida, mas com um grande favorecimento ao lado feminino da coisa (o que eu agradeço, é claro), dando aos ticos, majoritariamente, raps genéricos. Os fãs da Yougjin ainda poderão matar saudade da moça, ainda que tenha pegado uma bridge morna e que só não mata a canção pelos sintetizadores grudentos que vêm em exaustão logo a seguir.

E para finalizar, gostaria de novamente mencionar os engravatados da DSP, que, no limiar de fechar as portas, debutam sua provável última cartada (:D) no mesmo dia do grupo mais rentável do K-pop atual. Parabéns, realmente tem de se esforçar pra isso.

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