Pacotão Frenético do K-pop #08: Muita Coisa, Daí Nem Cabe Aqui.

12/02/2016 0 Comments A+ a-


Desde o último pacotão, há 20 dias, muitos releases passaram descomentados aqui no Delírios; fatores como provas, pouca relevância, baixa qualidade ou falta de disposição contribuíram para a ignorada.

Porém, meu lado blogueiro resolveu ativar o modo hell após os tantos lançamentos recentes: Sechskies, Sol.T etc. E assim, não mais consegui negligenciar tantas músicas, já que o destino parece premeditar que só teremos algo decente com BigBang e/ou Jessiquinha, lá pela metade de dezembro.

Como faltam tantos dias para isso e os comebacks supracitados me impedem de adiantar os rankings de final de ano, vamos comentar coisas tão aleatórias quanto Sistar na parede inquebrável. Na regra de qualidade crescente, como estamos habituados, here we go:

Oh My Girl feat. gente irrelevante - White



Eu sou fascinado com a mente dos engravatados que gerem a indústria fonográfica coreana. Frequentemente me pego pensando como os caras chegam a certas escolhas. Nesse caso, imagino que o diálogo foi mais ou menos assim:
- Cara, tá ligado que o natal tá chegando?
- Claro. Por quê?
- O Oh My Girl tá bombando. Vamos aproveitar e fazer um money.
- Bora. Pensou em algo?
- Siim. Vamos pegar uma faixa de R&B nostálgica mazomenos e esquecida no tempo do Fin.K.L, White.
- Foda. Puutz. Que tal chamarmos o HAHA, que participaram do nosso pior single - Aing - e transformarmos num Reggae?
- Foi o single delas que mais vendeu, né? Os coreanos são abestados. Bora.
- Bah, tive outra ideia. Hoje estou on fire. Vamos chamar M.TySON.
- Quem?
- O M.TySON.
- Não conheço. Mas confio em você. Vou organizar as coisas aqui.
E assim nasce mais uma faixa decepcionante, esquecível e desnecessária de um grupo que se encontra em ascensão social e franca decadência artística.

Sechskies - Couple



E foi-se a graça desse retorno inesperado do Sechskies. Elogiei muito three words, mas fazer tanto alvoroço para seu comeback e então surgir com uma versão ~levemente~ modernizada de faixas antigas é insípido, sem sentido, bem coisa do YG. Não é algo ruim, mas não traz nada de novo. Ao menos os modernos que nunca se aventuraram nas raízes do capope podem ter um vislumbre de como era a tendência duas décadas atrás, bem nesse estilo Sad Backstreet Boys.

Eu acho extremamente válida essa experiência de trazer atos consagrados de outros tempos para o cenário moderno, desde que seja feito um trabalho consciente de passagem temporal e as novas circunstâncias. Mas se forem ficar nisso, é bem frustrante.

Sejeong feat. ex-jogador do Flamengo - Flower Way



A menininha do Gugudan entrou aqui pelo surpreendente fato de ser TOP 2 semanal da Gaon. É justo? Claro que não, mas totalmente compreensível, pois se enquadra no nacionalmente amado gênero de baladinhas xaroposas, com toda cara de ost de Doraminha. O mais intrigante é que, no ensejo do nome, fui verificar o single do gugudan e já passa das 4kk de views. Será que ato bem questionável terá sucesso ou a colaboração apenas decolou pelo fator ZICO?

Ao menos ela é lindinha e aparenta ter uma voz doce e agradável.

Laboum - Winter Story



Eu gosto de Laboum. É uma espécie de híbrido entre Berry Good e Lovelyz, porém nem tão bom quanto um ou ruim quanto outro - não digo quem é quem. Winter Story mantém a essência Synthpop do grupo, mas sem alguma característica que seja marcante quanto seus maiores acertos, como a sonoridade retrô de Aalow Aalow ou o grude de Sugar Sugar.

E sem a conspicuidade de elementos específicos, a canção se torna pasteurizada e olvidável. Uma pena.
B1A4 - A Lie


A Lie é um excelente símbolo do catálogo dos caras: não é má, mas não é boa. Primeiro que é muito longa. O refrão é aveludado, mas repetido em demasia, e todos os pós são dissonantes, seja por voz grossa ou pela mudança da backing track. É um quase desses bem frustrantes. Jinyoung é promissor, mas também erra.

ZICO feat Crush e DEAN -  Melhores gols, assis Bermuda Triangle


E após garantir o MAMA com uma música que em nada lembra seu estilo, ZICO afasta as mágoas de sua ruptura com Seolhyun fazendo o que mais gosta: ostentar.

O MV é horrível, cheio de opulência e a abordagem visual típica do VIDALOK concept que não consigo suportar por mais de 8 segundos, mas falando estritamente da melodia, acabei a me acostumar por exposição contínua de tanto que ela vinha no automático independente do que eu estava a ouvir previamente, então nem soa horrível mais.

A troca de versos rápidos do ZICO criou um bom contraste com os outros, principalmente DEAN. E aliados ao instrumental, um artifício tão importante nesse nicho, fazem de Bermuda Triangle uma experiência intensa e rápida o suficiente para não soar monótona ou ofensiva.

Em suma, a proposta é clichezaça, mas se respeitada essa noção, funciona.

SHINee - Tell Me What Do



Não é criativa ou divertida quanto 1 of 1, mas Tell Me What To Do passa longe de ser algo negativo. É o Shinee apostando no lugar comum - R&B com pitadas de Tropical House -, o que é decepcionante vindo de um ato que ganhou meu carinho justamente por fugir disso, mas a dramaticidade dos vocais e, curiosamente, o tropical que permeia o refrão deixam o arranjo apreciável. 

Sol.T - Bad Girls



Após seu flopado debut, o Sol.T voltou com tudo. Colocaram até título em inglês no Youtube.

Enquanto Curveball era "chocante" pela violência sonora que se propunha, algo bem no espírito D.Holic, Bad Girls suaviza sua imagem, porém sem perder o estilo agressivo que parece ser a aposta da empresa. A faixa é mais melódica e dançante, algo que Curveball procurou evitar e que acabou por ser seu maior pecado, pois toda sua estrutura era idêntica e excessivamente vibrante. Bad Girls é pesada, mas sabe valorizar as partes do clímax com ínterins atenuados e que preparam para as partes do crescente, como a bridge de rap a lá Le, os LALALA e o breakdown que antecede os chorus ininterruptos que encerram a track.

Todo esse conjunto é suficiente para valer alguns replays em sequência e uma vaga na playlist. Agora resta saber se terão apoio e estrutura para não se seguirem o mesmo caminho de ostracismo como Purfles e o próprio D.Holic.

Hyoyeon - Miss Terry Mistery


Amém. Após participações com Taeyeon e no próprio Station, a Dancing Queen do K-pop finalmente recebeu seu solo da forma que nos esperávamos e ela merecia: um uptempo dançante, ágil e frenético. Poderia ser apenas mais uma farofa, mas a instrumentalidade árabe, por mais que não seja exatamente novidade, é uma aposta quase certeira em qualquer single, e aqui não é diferente. 

Ainda fico com Born to be Wild pela sua esquizofrenia magnética, mas o equilíbrio com que Miss Terry reforça a imagem forte e independe de Hyo sem cair em mesmices e sonoridades genéricas é marcante o suficiente, ao menos neste ano em que estamos. 

É, não foi um pacotão muito bom. Foi criado na pressão do TOC de deixar tantas coisas de fora. Pelo menos teremos Jessica em algumas semanas ¯\_(ツ)_/¯.

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