Em comeback versátil e quase impecável, BlackPink justifica o alvoroço sobre si.

11/01/2016 0 Comments A+ a-


O que eu vou dizer a seguir vai gerar muito ódio, mas vou dizer mesmo assim: superestimaram muito BlackPink no debut. As garotas contam, atualmente, com mais de 45% na votação do MAMA para Rookie do ano, está em 5º na escolha de artista do ano e recebeu vários votos no MAMA Delírios da mesma categoria

Podemos citar vários fatores para isso: os 7 anos sem debut de GirlGroups pela YG, os vários adiamentos do debut, o que erigia a expectativa, a falta de um conceito mais agressivo em atos femininos no mercado. Esses elementos dão a impressão que queriam tanto gostar do PRETOROSA, que cegaram-se perante os erros de Whistle e, principalmente, BANG BANG BOOMBAYAH.

Claro que não foi uma estreia ruim - e no post deixo isso bem claro -, mas o alvoroço e o fanatismo as faz parecer um grupo revolucionário, perfeito. O que não é o caso.

Assim, fiquei mais cauteloso para o primeiro comeback do quarteto, e seria indescritível dizer minha reação quando me deparei com dois singles tão diferentes entre si e ótimos a sua maneira: 


Eu só pude ouvir Stay lá pelas 14 da tarde, e as 16 tive de viajar. Cheguei em casa perto das 21 e todo esse tempo fiquei sofrendo, ansioso por escutar Stay novamente. 

A sensação que tive, logo nos acordes iniciais de Rose, é de identificação e "choque", dessas que temos no máximo umas cinco por ano - o sentimento de que algo especialmente marcante virá por aí. Dito e feito. A lembrança de algumas baladas do 2NE1 vêm, principalmente Ugly; porém, Stay se difere desta por uma estrutura 100% acústica, sem o refrão explosivo, e nesse arranjo, se sai muito melhor que Missing You graças aos elementos sônicos e pelo uso dos vocais.. Em sua simplicidade, funciona irretocavelmente. 

É justamente a vibe pacífica, quase hippie, que torna Stay conspícua. São raros os singles mainstream que seguem estas características - nem me recordo, na verdade, de alguma música que mescle violão, palmas e gaita. 

Teddy acertou em cheio. A forma como tudo se completa em um conjunto orgânico e íntimo é ímpar, e a gaitinha da intro me conquistou imediatamente, assim como fora em Hopefully Sky e When the Cherry Blossoms Fade, outras tracks que a utilizam na melodia.

Porém, é claro que o destaque midiático ficou com Playing With Fire, o Uptempo deste Double-A-Side, relegando Stay a posições inferiores nos charts (ainda dominados por Twice). Felizmente, ao contrário de Boombayah, o single mais agitado da vez é digno de sua atenção.


Ao contrário de Boombayah, que possui um ritmo insano e frenético, nos levando às alturas para broxar até cavalo naquele refrão que prefiro esquecer, brincando com fogo é muito mais contida e sabiamente organizada em sua melodia, isso tudo sem perder a atmosfera Girl Power que sempre acompanha qualquer proposta que meche com fogo.

O crescendo do final não é enlouquecido a ponto de parecer outra canção, com um break pós-refrão bem ao estilo Ocidental, mas que não deixa de ser viciante e compensa toda a expectativa gerada pelo que vinha anteriormente, justamente o maior pecado de Boomb...

E precisamos falar sobre Jennie: previamente usada mais como rapper, a jovem surpreende muito nos versos puramente vocais, tendo uma voz rapidamente diferenciável e suave quando não necessária alguma bridge agressiva de rap.

O ponto negativo, em contramão, vai à parceira rapper de Jennie, Lisa: sei que vários a têm como Bias, mas sejamos sinceros que, muito provavelmente, sem sua bridge e os "Burn, Baby Burn", Playing With Fire não seria apenas uma excelente música, como algo talvez memorável. Em Stay, apesar de dissonante, seu rap oferece um contraste na melancolia geral, enquanto aqui tem-se a impressão de que YG não sabe nada diferente pra guria apresentar. 

Os MVs não apresentam nada que exploda cabeças. Stay mostra as jovens gregárias em um estado espiritual conflituoso, por isso a neblina, que denota um psicológico pouco esclarecido e recheado de dúvidas, com ausência de qualquer iluminação. Playing With Fire é uma sucessão de cortes as integrantes coreografando e tals. Ao menos não é um emaranhado do que já vimos, como Whistle. O mérito é mesmo pelo estilo e beleza estética. 

Eu tive várias horas para refletir sobre o Double Release, então a opinião final não é calidez do momento. Fiquei realmente empolgado com os esforços de BlackPink dessa vez. Espero, agora, conhecer melhor as meninas no vindouro Weekly Idol.

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