'Beside Me' é a nova aula do Davichi de como se fazer uma balada.

10/12/2016 0 Comments A+ a-


Quem não curte uma boa baladinha? Nunca esqueço quando um conhecido disse-me o seguinte "eu não quero nudes, me manda suas músicas tristes favoritas".

Porém, os korebas tem um gosto especial pelo gênero, algo que não vem de hoje. Algumas trilhas de doramas costumam vender tanto quanto comebacks por lá. E não à toa, o Single mais vendido da SM, no ano, é Rain, da Taeyeon, nada de EXO ou mesmo o double-a-side do segundo EP da melhor voz do K-pop.

Um dos problemas que isso traz, é o fato de que muitos grupos não sabem fazer baladas, seja por defeitos no arranjo ou uma escolha equivocada na vocalidade executada. Os atos tendem a confundir baladas, que devem ser, obviamente, mais lentas e tristes, com algo monótono e entediante. Aí nascem coisas como o comeback da unit do BTOB, One of These Nights e vários Stations espalhados por aí.

Felizmente, para a alegria de todos os que adoram ter seus momentos reflexivos de solidão na foça e não se satisfazem mais com Adele, sempre podemos recorrer para as Rainhas de Ballads, o Davichi.


Elas já vinham tendo um bom ano, com duas OSTs de sucesso pra Doraminhas (This Love, para Descendants of the Sun, e Forgetting You, de Moon Lovers), além da parceria com K.will em 'You Call it Romance', inferior às outras, mas um inegável êxito comercial (mais de 800 mil vendas digitais). 

Ou seja, Beside Me é o impressionante quarto lançamento delas em 2016, e em uma qualidade altíssima. 

Se avaliada estruturalmente, percebemos que ela não apresenta nada de novo. O instrumental não é inventivo, sendo no geral uma composição clássica ao som delicado de pianolino (piano + violino), com pequenas vertigens no refrão e vozes sobrepostas para criar um clima mais etéreo em certos versos, clima este ressaltado pela estética do MV. A letra segue, igualmente, o padrão que temos em melodias mais tristes - sobre amor e desilusões.

Então por que funciona tão bem?

O que diferencia Beside Me é realmente o esmero vocal de Haeri e Min-kyung. A harmonia das vozes enquanto uma fica com partes mais potentes e a outra com a maioria dos versos cria um contraponto sinérgico e uma dinâmica fluida e orgânica. O vozeirão de Haeri, nos clímax, não soa como aqueles berros deslocados que alguns atos enfiam no meio de músicas apenas para levantar ego, e sim acrescentam na intensidade do conjunto. Enquanto Min, que assume passagens mais calmas, os faz com sentimento e uma doçura que nos envolve entre as transições. As duas transmitem uma verdadeira paixão enquanto cantam, justamente o que falta na maioria dos releases semelhantes por aí. Baladas não devem ser chatas, devem erigir, estimular sensações em quem as escuta, e com essa proposta, mesmo após oito anos, ninguém ainda conseguiu bater a fórmula do Davichi.

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