E no final das contas, o conceito Harry Potter do DIA não passou de uma baita enganação.

9/12/2016 0 Comments A+ a-


Quando a MBK soltou a informação de que o comeback do DIA usaria o conceito Harry Potter, fiquei imediatamente interessado. Seria uma união inesperada de dois temas que gosto muito: a saga criada pela tia Jô + K-pop. Como isso poderia dar errado?!

Porém, o que meu lado fã ignorou foi o fato de que estamos, afinal, falando do DIA, grupo que possui integrantes muito carismáticas e bacanas (sério, assistam seu Weekly Idol à época de 'On The Road), mas que musicalmente nunca se envolveram em algo realmente decente.

Infelizmente, 'Mr. Potter' é mais um espécime xarope do capope 2016™.

Deixo abaixo o teaser, já que a empresa ainda não upou o MV oficial no Youtube. Para assistir a versão completa pelo Naver, basta clicar aqui.



O início pode até ser animador, ainda mais para os fãs do Bruxo, que reconhecerão uma clara semelhança d backing track por Music Box com as trilhas de John Williams para os primeiros filmes, mas qualquer analogia clara acaba por aí.

Por quê? Porque Mr. Potter se torna, pouco a pouco, em mais um desses White Aegyos coloridinhos e fofinhos, com tudo que o estilo costuma entregar, como sintetizadores a rodo, cenários com cores suaves e as expressões que mesclam safadeza com inocência pelas meninas.

E entre tantos simbolismos possíveis, a escolha do coelho antropomórfico (que no contexto, imagino significar inocência e juventude) é duvidosa e traça um paralelo mais perceptível como algo saído de uma versão menos hardcore de Donnie Darko.

Aqui e acolá temos um trem todo rosado, varinhas aleatórias, vassouras e bruxas ao luar, mas se a ideia era alguma homenagem, soa mais como um potencial desperdiçado ou um baita oportunismo em cima da gigantesca marca que é Harry Potter.

O mesmo se cabe ao avaliarmos a sonoridade, pois ainda que não focasse na história de Potter em si, utilizar o tema bruxaria deixaria várias possibilidades criativas para explorar algo conceitual e "diferente", e é de derreter o cérebro vermos apenas mais um Kawaii Concept repetitivo e irritante, desses que temos aos montes e que se parece com tantos outros que torna-se difícil pensar em apenas um: Lion Heart, quase tudo do Lovelyz, alguns singles do Apink, I.B.I e paro por aí para não cavocar demais a toca dos Nugus.

Fico mais triste ainda por perceber o quão enfastiante está reclamar, semana após semana, do comodismo e estagnação de vários atos do K-pop, principalmente os mais novos, que parecem comprometidos a trilhar o sucesso através de um só gênero, sem se darem conta que assim apenas se auto-sabotam com a falta de originalidade.

Mr. Potter não me deu a mínima vontade de apertar o replay e até quarta devo esquecer sua existência. Ademais, serve de exemplo como mais um grande motivo para enaltecer Gfriend, que consegue alguma dignificação e diferenciação em meio a este fadigado terreno açucarado.

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