Carnival lembra, sim, Red Shoes, e isso não é motivo para discórdia.

9/09/2016 0 Comments A+ a-


Apesar de vários atos já terem utilizado elementos de Jazz em sua discografia, grande parte deles é tão nugu que não viram a luz do dia, ou simplesmente não possuem qualidade para tal. Devido a isso, quando apareceu com o excelente LP 'Modern Times", em 2013, IU estabeleceu uma espécie de referência para qualquer lançamento no K-pop que se utilizasse do clássico estilo musical americano.

Isso não quer dizer que ela inventou a mistura. No entanto, é fato que foi quem o popularizou, e por isso, quando Carnival saiu, fomos inundados com comparações entre esta e, para ser exato, Red Shoes.

É uma comparação nitidamente compreensível, mas o que temos visto é um tipo de batalha (porque para fandons, qualquer contexto vira razão para guerrear) entre os fãs de IU e Gain. Uns dizem que a maknae do BEG simplesmente copiou a solista mais rentável da atualidade, enquanto outros esbravejam ser um insulto mencionar as duas na mesma sentença, pois Gain é uma deusa do Pop coreano, enquanto IU não passa de uma garotinha capitalista sem autonomia artística (o que é uma falácia sem tamanho).

Esse, talvez, seja o conflito mais imbecil e desnecessário que presenciei ultimamente, entre fanbases. É óbvio, para qualquer um, que as faixas se assemelham, mas não há motivo em declarar plágio ou superioridade de alguma das donzelas. Primeiro que IU não criou o Jazz Pop, apenas, como supracitado, foi responsável pelo seu maior expoente até o momento. E por ter se tornado o main name no quesito, cria-se essa falsa imagem de pertencimento, assim como muitos Sones vivem acusando Gfriend, DIA e outros Rookies de plagiamento, sendo que Fin.K.L e SES foram mães das Soshis, na geração passada do k-pop. É uma combinação de desconhecimento, fanatismo cego e um inerente desejo humano por dominação e confrontos.

E segundo; Carnival deve, sim, ser comparado com Red Shoes, pois é inevitável, e isso não deve, jamais, ser interpretado como uma diminuição do talento de Gain, pois Red Shoes é ótima, e uma competição saudável deveria estimular mais arriscadas no gênero. Não queremos viver para sempre com uma única amostra, não é mesmo?!

Atualizado 10/09: o produtor dos álbuns Modern Times e End Again é o mesmo - Jo Yeong-cheol. Acho que isso explica tudo.
No more fights, but peace.

Confira a razão para tanta discussão:



Clique aqui para ouvir Red Shoes.

Agora que estão todos calmos e pacificados por este blogueiro, apenas assumam a conexão e degustem essa melodia um tanto insólita nesse mundo capopeiro, quanto mais neste 2016.

Gain é uma das principais e mais - merecidamente - glorificadas figuras Pop da Coreia, sendo uma Idol completa: dança muito, canta muito, é carismática, linda e sensual. Full package.

Isso parece ter lhe conferido um certo álibi, pois ela envereda por diversos conceitos maduros e que caso fossem explorados por outros nomes, certamente angariariam um certo hate dos knetizens. Mas não Gain. Até porque, apesar de esbanjar sensualidade, ela faz de maneira não vulgar; elegante, provocante e charmosa. Foi assim em Paradise Lost, Apple, Truth or Dare e Fxxk U, por exemplo. 

Carnival segue a mesma linha, mantendo o clima sexy e maduro, porém com uma nova experimentação sonora, algo padrão em sua carreira.
gain carnival gif

Confesso, contudo, que apesar de reconhecer seus méritos, melodicamente, ainda fico com IU como pilar central da miscigenação entre Jazz e Pop Coreano. Questão pessoal e que pouco envolve técnica. Talvez tenha sido pelo fato de ter vindo primeiro, o que despertou meu senso de surpresa e satisfação em maior grau. 

Porém, é inegável o esmero de Gain ao atingir o que se propõe, e para isto é preciso dissertar acerca do que o vídeo exibe. Um clipe é uma obra de audiovisual, então nada mais justo que ambas as mídias estejam em sintonia. E como resultado de um conjunto bem orquestrado, Carnival se sobressai.

Todo Jazz evoca sentimentos provenientes de tempos anteriores à década de 50, por aí. E nisso, Gain já ganha pontos pelo teaser que não engana, pois seu figurino prometia exatamente algo retrô.

E é isso que recebemos.

A atmosfera é alegre, descontraída (carnaval, dã), típica de longas antigos da época de ouro de Walt Disney. Entretanto, há também uma melancolia intrínseca enquanto percorremos a track, uma espécie de nostalgia proveniente do passado. Por mais que nenhum de nós tenha vivido na metade do século XX, é o poder sinestésico proporcionado pelo competente MV, eficiente em nos transportar para o passado e assim abordar sua mensagem otimista de aproveitar a vida..

Positivo, mas também um tanto tétrico (triste) e fúnebre, adjetivos despertos pelo violino que permeia principalmente na introdução do vídeo, pois presenciamos o adeus das boas memórias de Gain, antes dessa deixar de vez de nosso plano físico. 

Quer concorde ou não, é algo que faz sentido: a morte vem, então aproveite a existência lhe fornecida para que suas fatídicas lembranças valham a pena.
gain carnival gif

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