SM e JYP selam a paz mundial em Born to Be Wild.

8/26/2016 0 Comments A+ a-


O Station é, definitivamente, a bagunça do ano. Mesmo que a maioria da faixas seja esquecível e xarope, o projeto tem rendido experimentações interessantes e inventivas. Só por isso, sua existência já é válida, pois sabendo filtrar conteúdo, dá pra tirar bastante coisa bacana de sua conjuntura, como Starry Night, Wave, Borders e Heartbreak Hotel.

Outro aspecto positivo são as combinações inusitadas entre artistas de gêneros distintos, muitas vezes negligenciados em seus grupos e até de outras empresas.

Porém, de tudo já saído da coisa toda, nada chegou perto da mistureba babélica que é Born to Be Wild, uma colaboração surreal entre a Forgotten Soshi Hyoyeon e o trio JYP formando por Jo Won (2AM), Min (a guria menos famosa do miss A) e o chefão que nomeia o selo, o próprio JYP.

Já é absurdo ver essa colaboração entre artistas de rivais representantes de duas componentes da Big Three, ainda mais sendo sob o nome de apenas uma delas, mas tanto a música, quanto o MV, pelo menos fazem jus aos integrantes do Triple T (nome da unit e que apresenta infindáveis significados, mas me atenho ao mais plausível no contexto, "Toes, Tits and Teeth", uma gíria de bastidores musicais que visa lembrar a todos de sorrir, apontar os dedos para o alto e...mostrar os peitos?!), sendo uma experiência definitivamente alucinante. 

Enfim, confira aí:



É impossível - pra não dizer desnecessário - definir o que é Born to Be Wild, pois ela não é elegível a um nicho ou estilo específico. A track foi composta por JYP, e conhecendo a personalidade do sujeito, é bem provável que ele tenha assumido as rédeas do projeto todo, e isso é ótimo, pois JYP é FODA (sério, assistam os Weekly Idols do cara). A despeito de ser de uma concorrente da SM, o tio massa véio pegou bem o espírito que a canção precisava, pois o maior erro seria levá-la a sério, e isso certamente não é o que ocorre.

Born to Be Wild soa como um deboche de 3:41 do quarteto. Assim como título sugere, a faixa é feita para soltar seu lado selvagem. É meio constrangedor, mas ou você abraça a atmosfera, ou vai encerrar o vídeo com alguma convulsão ou princípio de epilepsia. Da coreografia espalhafatosa às gesticulações exageradas e os figurinos cafoníssimos, tudo é feito para parecer o mais bizarro possível.

Já quanto ao MV, a SM deve ter juntado todos os efeitos psicodélicos possíveis nisso aí, sejam um piscar frenético de luzes, uma paleta de cures mutável a cada segundo e filtros incognoscíveis, todos jogados em nossa cara sem a menor cerimônia. Soa como um filme experimental desses gravados com $10 e editado por jovens bem chapados. 

Outro fator que corrobora essa cacofonia viciante, é a interpretação das pessoínhas que compõem o vídeo. JYP dispensa comentários. O cara é uma das figuras mais cativantes, fascinantes e respeitáveis de toda a indústria, seja em produzir, gerenciar ou descobrir fenômenos, ou simplesmente em sua carreira solo, que é financiada pelos lucros de Twice e Got7, mas sempre tem algo de criativo e inteligente para transmitir. É só ver seu último Double-A-Side, onde um single fora uma metáfora bacana sobre sua longevidade no jovial sistema, e outro simplesmente só existe para mostrar Conan O'Brien e Steven Yeun.

Quanto aos outros três, nos resta vislumbrar a simples criação de uma parceria improvável. Não dou bolas para Jo Kwon ou 2AM, achei o cara dissonante e irrelevante, sendo simplesmente o estereótipo de menino badass gostosão (nesse clipe, não na carreira), mas é divertido ver Hyoyeon e Min, as meninas menos valorizadas de seus respectivos grupos, tendo uma chance de mostrar seus talentos juntas. Ainda me parece que SM e JYP não sabem o que fazer com elas, e com isso as empurram para qualquer oportunidade que surge, mas vale justamente pelo resultado, pois em que outra ocasião as veríamos rebolar nesse instrumental meio turco, meio trap, meio dubstep?! É tão tosco que fica maravilhoso. 

E no final, é para isso que Born to be Wild serve; nos proporcionar uma verdadeira viagem transcendental durante sua pequena duração, mesclando elementos tão distintos que parece mais um devaneio delirante. Não é um hino, não irá rankear o topo dos charts ou vender milhares de cópias, mas definitivamente é uma apreciação marcante, independente dos motivos.

É um raro caso onde sonoridade, efeitos visuais e letra se completam em uma completa epifania, e tentar extrair alguma significação maior seria tolice. O segredo é reconhecer a abordagem insana e degustar, pois não veremos algo similar tão cedo.

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