Com Lifted, Cl desperdiça uma ótima chance de expandir o K-pop na América.

8/19/2016 0 Comments A+ a-



Não sei vocês, meus queridos, mas eu não gostaria de ser um Blackjack neste exato momento. "Como assim? Você não gostaria de ver a líder de seu grupo favorito se arriscar em um mercado novo?". Sim. E não.

Iria achar incrível Taeyeon, Luna ou Choa aventurarem-se na terra da Oprah, conquanto mantivessem um respeito ao seu grupo original e oferecessem algo inesperado, o que não ocorre com CL, e esse é o problema. Entre outras causas, o 2NE1 está há dois anos de molho graças à insistência da rapper em construir uma marca forte individual, e esta marca, até agora, não compensa.

Apoio e valorizo uma diversificação entre integrantes, pois muitas vezes servem para explorar novos conceitos, como o que acontece com Taeyeon, só que Cl não faz isso. Em todos os seus solos, ela manteve a mesma imagem badass ostensiva no melhor estilo GD, versão Bad Female. Além disso, nem ao menos um de seus singles próprios demonstra qualidade destoante e que justifique negligenciar o 2NE1 em prol pessoal.

The Baddest Female, Hello Bitches, as colaborações com G-Dragon, Diplo e Skrillex. Em nenhuma destas faixas, CL teve a astúcia de explorar o novo, como um pássaro que mesmo diante da gaiola desobstruída, nega-se a deixar sua confortável e segura prisão. É preocupante que sua melhor participação off 2NE1 seja em cinco segundos de Daddy.

Seu debut solo Made In USA era um mito, tamanha a euforia que antecedia o aguardo. A Idol tinha uma responsabilidade tão grande quanto a oportunidade de apresentar um pouco mais da cultura coreana para o povo médio americano, e logo, do Ocidente. Entretanto, lamentavelmente, CL ainda não abandonou as grades.



Quando 2NE1 surgiu, a alcunha de BigBang feminino era fomentada por todo o sistema, e por mais que as garotas tenham se diferenciado e criado um - merecido - renome, é inevitável comparar CL com GD. Ambos erigiram suas imagens como indivíduos ferozes, independentes, confiantes, marrentos e opulentos. Então é natural que ao trocar de país, ela tenha optado por manter sua identidade visual. Porém, os artifícios de adaptação na nova terra são terríveis.

Meu prezado parceiro, Igor, do Esquadrão Lunático, dissertou mais profundamente sobre a propriedade cultura que Cl utiliza, em texto que podes ler clicando aqui. Não adentrarei no assunto, mas é inerente ao post comentar o que é retratado no MV. Para reforçar sua postura do gueto, CL foi filmada em locações de subúrbio, com prédios crus, quadras de basquete e uma comunidade que se adéqua no contexto. Até aí Ok, mas entre diversas formas de inclusão que poderia adotar ao abordar um novo público, ela foi pelo mais clichê e preguiçoso, como fazem tantos artistas de Hip Hop e Pop atuais do cenário Ocidental; misturar-se com negros "balaqueiros", com visuais insólitos e vestuário nababesco.

A impressão é que a staff, em uma nítida cegues social, tencionou, tolamente, transportar CL para um contexto similar a sua figura mothafucka. Se tratando de uma cantora coreana, advinda de uma cultura avessa, isso é frustrante. O debut poderia trabalhar a miscigenação dos povos, criar um sistema de inclusão ou pertencimento, realçar características do K-pop, não seguir essa linha Miley Cyrus/ Iggy Azalea de exibir basicamente qualquer negro como se fosse um símbolo sexual estilizado.

Lifted - a música - não é ruim. O reggae aliado ao rap gerou uma mescla interessante, com os "ehs" sendo potenciais chicletes cerebrais. Talvez seja até a melhor de seu catálogo (o que não seria tão difícil), mas pelo azo proporcionado, não é apenas decepcionante, como um esperdício dos grandes. Não justifica tanta expectativa e os longos meses de preparação. Nesse concept, a própria Hyuna, sem tanto alvoroço, lançou a superior 'How's This?', por exemplo.

A melhor chance que Cl teria de atrair um público e cravar seu nome nos USA, seria ao representar suas peculiaridades, as diferenças sonoras da Coreia, realçar o novo, algo desconhecido para cidadão americano médio. Infelizmente, escolheu ser mais uma; e disso, este lado do globo está cheio.
cl lifted gif

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