As Melhores do Primeiro Semestre - Esnobadas

8/13/2016 0 Comments A+ a-



Após uma polêmica e frustrante lista com as 30 melhores faixas de k-pop no semestre, a culpa me afligiu por deixar algumas tracks realmente boas de fora, o que também quebra a impressão de que o ano da música pop coreana está ruim. Está decepcionante, sim, mas são definições desiguais e de significado essencialmente diferente.

Para não encher o TOP com fillerzões e transformar isso em algo infinito, escolhi aquelas que realmente têm algum valor e merecem alguns comentários para si, especialmente as ignoradas b-sides, que estão, neste ano, muitas vezes superiores aos lead singles. O ranking não está em ordem qualitativa, e sim de forma avulsa conforme fui lembrando em sua construção.

Será que sua fav finalmente deu as caras? Confira:

AOA - Crazy Boy


No quase irretocável EP de AOA, com várias b-sides de bom nível (sendo Cherry Pop a única decepção), Crazy Boy é quem mais se destaca, alguns passos à frente da também ótima 10 Seconds. Crazy Boy é um dance dramático com pegadas de Rock em ritmo acelerado que possui no violão do instrumental seu maior fator dissonante do comum. A divisão dos vocais também destoa do normal das meninas, com ênfase nos versos de Mina, que criam uma dinâmica ótima com Yuna. 

Winner - Baby Baby


O grupo mais negligenciado pelo YG recebeu um triple A-side após dois anos de hiato que devem anteceder mais alguns bons meses de molho, e ao menos o retorno teve uma canção ótima (Sentimental) e essa Baby Baby, que apesar de inferior, é digna de nota. Fruto dos meses em que quase todo ato coreano resolveu se aventurar em derivações de R&B, Winner foi um dos poucos que não entregou algo medíocre (e ainda preencheu sua cota de clipes com carro). Pobre deles que por razões inexplicáveis, ikon (reparem no minúsculo) deve continuar como centro dos esforços da empresa quanto aos seus produtos com ticos. 

NCT 127 - Fire Truck


O confuso ato debut que a SM tem perseverado pra enfiar em nossas goelas é genérico e nada inspirador, mas seja pelo trap repetitivo ou os "Uh Uh Uh Uh", acabei viciando nesse troço que merece receber a alcunha de merdavilhoso. Só espero que a empresa não continue empurrado esse conceito vidalok colorido até os meninos fazerem sucesso, porque mais um grupo masculino badass ninguém aguenta (se bem que kpopper é complicado em questão de gosto). 

4Minute - Blind


B-side ignorada no meio do último e melhor EP do finado 4minute, Blind é um slow rap que se adéqua tanto nas versáteis vozes das integrantes quanto em seu estilo independente e forte. As alternâncias entre Gayoon e Jiyoon entre pré-refrão e clímax são especialmente marcantes. Mantém a áurea agressiva e acrescentam uma dramaticidade digna das melhores vozes do k-pop. Um triste e contundente exemplo da falta que elas farão à indústria.

RIP 4Minute. 

Brave Girls - High Heels


A farofa do ano e que gera o irônico pensamento de ter saído tanto época certa quanto na errada. High Heels é típico do que Brave Brothers costumava entregar pro AOA, principalmente em 2014, quando o sexy concept ainda estava no topo da cadeia capopeiristica, e ser lançada dois anos depois certamente mina o sucesso e alcance da faixa. Entretanto, caso fosse release do supracitado ano, seria apenas mais uma, e possivelmente passado despercebida no meio do mainstream. Isso basicamente destina o Brave Girls ao Nugu World, o que é uma pena.

Stellar - Cinderella


Coisa linda e maravilhosa. Sting é glorioso e entrega um excelente single com follow ups memoráveis: Insomnia, Love Speel e este Cinderella, baladinha de sofrência que atrai justamente pelo poder vocal das meninas e um ritmo decente que não busca trazer o choro, se satisfazendo em evocar tristeza e reflexão em seus pouco mais de 3 minutos. Outro flop injustíssimo. 

Wanna.B - Why


Wanna.B debutou com a boa Attention, atiçou a curiosidade dos kpoppers hardcore, e aí fez um comeback medorrento que fez até os maiores frequentadores do submundo coreano esquecê-las. Aí, nessa montanha-russa de qualidade e com o inútil acréscimo da maninha da Minah, do Girl's Day, lançam, completamente do nada (pois é assim que nugus funcionam),Why, e novamente despertam curiosidade dos hippies. Assim como seu primeiro single, Why lembra os tempos áureos de After School, e como o original encontra-se em coma, precisamos de substitutas. 


Luna - Breathe


Free Somebody é outro desses EPs cheio de faixas dignas e que em um mundo justo receberiam maior notoriedade, ao menos promoções e um videozinho pra divulgar. Mas se nem a title track conseguiu lá muita valorização, quem dirá uma b-side qualquer, não é?! Entre todo o álbum, vou de Breathe por ser um downtempo que destaca a voz de sua vocalista sem apelar para gritos nem cair num ritmo entediante e xarope. Breathe mantém-se lenta em toda sua composição, porém, o crescente pós-introdução prende em uma melodia lounge transcendental. 

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E é isso, caras! Espero que tenham curtido essas 38 músicas que coloquei entre as melhores do semestre, e que os aborrecidos tenham se satisfeito ao ver sua fav marcar presença, nem que seja nas esnobadas. Caso sua Bias tenha ficado de fora até daqui, é simplesmente por não ter merecido. Deu.


AAAAAAAAAAAAAH MENTIRA!

Tiffany - Heartbreak Hotel
 
Deixei o Station da Fany por último pra pregar uma peça final nos fanáticos pela soshi, justamente por me encherem tanto o saco pela falta de sua ultimate no Top 30. Sério, no twitter, comentários e facebook, uma em cada seis pessoas basicamente ignorava as 10 canções da lista para questionar a ausência da Hwang.

I Just Wanna Dance e Heartbreak Hotel apresentam uma simbiose entre si, sendo dois synthpops 80s intimistas, e o que me faz optar pela segunda é, em suma, a eficiência do conjunto. O arranjo ficou mais viciante, atmosférico e intenso, com um refrão que dá continuidade às sensações provocadas pela sonoridade que o antecede, ao contrário do fraco chorus "I Just Wanna Dance", que soa vazio e até bobo. Heartbreak Hotel é misteriosa, enigmática e fascinante. A SM deveria ter optado por ela como lead single do debut, e talvez o flop não fosse tão acachapante.

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Agora sim, meus queridos. Nos vemos em breve!


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