Após 300 anos, BlackPink debuta com seus Bang Bang Bang e Bae Bae. Há esperança além do White Aegyo.

8/08/2016 0 Comments A+ a-

black pink members kpop yg

E heis que após 7 anos desde seu último debut de algum girl group, o YG finalmente cansou de testosterona e resolveu lançar molieres novamente. Claro que nesse período tivemos umas 300 previsões furadas, promessas falsas e o maior fandom pré-debut ever, com infindáveis especulações acerca do nome e quais integrantes integrariam o plantel, mas amém aconteceu!

É bem fato que isso só ocorreu agora pela saída da Minzy, o que não é exatamente a situação ideal  e esperada pelos stans da empresa, e toda esse postergamento apenas gerou um frenesi e acúmulo de expectativas acachapantes nas meninas, algo que poderia sabotar um debut bom, porém não digno da espera. O que importa, porém, é que BlackPink deu as caras para tentar livrar-nos de tanto açúcar que o K-pop tem nos presenteado ultimamente.

Em inevitáveis comparações, os dois MVs, Whistle e Boombaya, se assemelham à estética YG: urbana, suja e rebelde, sempre reforçando essa imagem badass dos membros, e com BlackPink não é diferente. Entretanto, a despeito de usarem sutiã, as semelhanças são muito mais evidentes com Big Bang.

Iniciamos com Whistle:


Whistle começa como um catalisador de expectativa desnorteante, pois os caras sabem que quem apertou o play está roendo as unhas, no mínimo, e a introdução do MV, enquanto apresenta as integrantes e joga vários cenas com cortes rápidos e muitas vezes abstratos para absorvermos, aumenta ainda mais o desejo pelo primeiro vislumbre.

E quando a melodia de fato tem início, já estamos no clima, coisa que o assoviozinho consegue facilmente manter. Eu sou muito viciado em qualquer coisa que utiliza assovios - ou bios? - em sua estrutura, então talvez seja suspeito, mas música toda merece nota. 

Tem uma galerinha reclamando por aí que o slow beat de Whistle é fraco e sem intensidade, mas isso é fruto dessa geração viciada nos Dopes da vida que só fornecem barulheira e imagens do diabo, como diz minha vó. Dar start com uma melodia lenta e crescente é um acerto justamente pela construção do clima após tanto ansiedade, e como estamos sendo apresentados para as meninas, seus vocais, talentos e características são melhor apresentados com calma.
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O hook de Lisa cria uma dinâmica fluida com o início dos versos com Rosé, para então voltar ao rap com Jennie e dar inícios aos versos em direção ao refrão, nas harmônicas vozes de RoséJisoo. O refrão é algo inusitado, com esses We ba dum, we badum badum, badum que não fazem exatamente sentido, mas grudam na cabeça e e condizem com o MV todo onírico e abstrato, muito semelhante a Bae Bae, com tomadas espaciais e da Jennie Taeyang de cavalo. Deve ser meio constrangedor cantar isso, mas é bacana ouvir, e isso que é importante, vide os yum yum do EXID

O MV, aliás, é criativamente preguiçoso. Não confundir com enfadonho, mas pouco inovativo, pois visualmente é notório sua conformidade com o universo estético da YG, seja nas ruas esquálidas e soturnas, ou com os já citados planetas. Sem dizer os carros de sempre. Só de cabeça eu penso em Bang Bang Bang, Good Boy e Go Away. Dei uma pesquisa e ainda vi que Dumb & Dumbers,do iKON, utiliza de automóveis em seu vídeo, mas não tô nem aí pra iKON.
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BoomBaya foi certamente feita como estrela do projeto, exatamente o que a grande maioria dos fãs prefere consumir: algo agitado e frenético. A canção lembra muito Bang Bang Bang em quase todos os aspectos, os bons, e infelizmente, os ruins.



A backing track bad motherfucker já inicia no tom, e assim segue até o refrão, movimentada na troca de versos entre as integrantes, a batida Urban Pop com EDM e Hip-Hop e as cores fortes e caleidoscópicas. Então chegamos na paradinha pré-refrão, justamente como Bang Bang Bang, num silêncio de segundos pra soltar toda a expectação em um clímax poderoso e avassalador. Aí ele vem e a gente murcha completamente. Sério, o Teddy Park é fodão, já fez muito hino por aí, mas errar duas vezes seguidas em lead singles, da mesma maneira, é curioso. O cara se deixou levar pelo sucesso comercial de Bang Bang Bang e ignorou o quão fraco e óbvio ficou sua parte principal, o chorus. 

Ao menos, o instrumental EDM puxado pruma vibe indiana de Boombaya não deixa a música morrer no refrão, por mais que seja decepcionante. Ainda assim, após a ótima e orgânica Whistle, é levemente frustrante.
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Até as gesticulações são bang bang bang.
Em suma, BlackPink não exatamente salva o K-pop, mas considerando-se um debut, é satisfatório e auspicioso. Melhor que o do 2NE1, e é acalentador que as integrantes preencham os pouco equívocos de suas unnies. Pela amostra que temos dos singles, ao menos três delas -Jisoo (particularmente, minha favorita, sendo visualmente linda, carismática e com bom alcance vocal), Jennie e Rosé - podem cantar tranquilamente versos e refrão, enquanto Jennie e Lisa dão conta de raps e absolutamente todas dançam bem, o que possibilita coreografias mais complexas, uma das maiores reclamações que acompanha o 2NE1

Eu não gosto do YG, acho suas atitudes um desrespeito aos fãs, mas ver o sujeito evitar o terreno fértil do White Aegyo, tão insuportavelmente em tendência hodiernamente, é um alento. Com o fim do 4Minute e 2NE1 em estado catatônico, são poucos os atos que oferecem novas perspectivas. Só espero que elas mantenham essa áurea mais dark nesse monte de singles que terão pelo ano, por favor.
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