Fei faz um bom debut solo, mas erra a data e vai direto pro flop

7/21/2016 0 Comments A+ a-


O tio massa véio JYP não é burro, meus queridos. Após a partida de Jia algo urgente precisava ser feito quanto a miss A, já que uma saída de integrante clássica sempre abala a influência e popularidade do respectivo grupo. Bem, como a empresa já teve vários comebacks bem-sucedidos recentemente e Suzy segue ocupada no seu novo doraminha (enquanto Min deve estar fazendo altas maratonas no Netflix), resolveram apostar na membra chinesa remanescente pra manter uma moral com o país que vem sendo um verdadeiro ganha pão pra muitos atos por aí.

O resultado é bacana, mas deixa óbvio a falta de prioridade depositado nele, sendo um lançamento um tanto quanto anacrônico para a época arco-íris que vivemos no K-pop, servindo muito mais como sinal de vida do miss A do que algo pra gerar um grande lucro.

Confira:



O K-pop 2016 é uma bifurcação limitante: ou você envereda pelo caminho do White Aegyo, ou vai pro PBR&B. São pouquíssimas as exceções, surpreendentemente grande maioria da SM escravizadora. Mas voltando à tendência atual, grupos jovens têm apostado em seus rostinhos para conceitos unicórnio, enquanto veteranos, majoritariamente, fazem pequenas varições no R&B contemporâneo. Nem preciso dizer quem vem angariando mais sucesso, principalmente no que tange aos girlgroups, sendo as Wonder Girls e seu reggae um misterioso ponto fora da curva.

E se eu, um brasileiro de cidade pequena com tempo livre o suficiente pra ter este blog sabe o jeito mais easy de encher os bolsos, por que uma empresa cheio de engravatados ambiciosos e estudados ainda demonstra tanta teimosia?! Pois Fantasy é indiscriminadamente um representante da estrada mais pobre. E por isso digo que o solo veio apenas pra manter a chama miss A acesa e chamar alguma atenção na China, que valoriza muito os Idols compatriotas. 

Fantasy é um midtempo PBR&B urbano com apelo sexy, muito semelhante a tudo que Gain lança em seus releases solo, e principalmente ao Sketch de Hyomin, outro flop, entretanto com bom mercado na terra que fez todos seus brinquedos quando criança. Um estilo sonoro/ estético que fez muito sucesso no passado, principalmente até 2014, não mais. O fato da música nem ter rankeado no Melon apenas confirma o que disse, e não acho que JYP pensasse diferente. O foco está totalmente em Twice e GOT7, mas mesmo alguém em segundo plano numa empresa Big 3 consegue uma produção invejável, e é a execução do conceito no MV o grande destaque de Fantasy, tornando uma canção que poderia ser imediatamente esquecível em algo pelo menos agradável, muito pelo que concede aos nossos humildes olhos. 

O vídeo ficou absurdamente sexy (recebendo um +19 pra enganar tarados), mas não escrachado e expositivo, e sim elegante e charmoso, com uma coreografia provocativa com filtros de vermelho bordel para atiçar a volúpia alheia. E Fei, ah, Fei, perdoai aqueles que gastam metros de lenço com Suzy, pois que mulher! A coloração rosada de seu cabelo é certamente a que mais se adequou na artista desde o debut das meninas. Suas curvas e os figurinos generosos servem como perfeito exemplo do que nós desejamos após anos consumindo girlgroups, e receber um conceito sensual em tempos onde a maioria das empresas quer passar seus grupos como estudantes menores de idade é um alento. Certeza que a venda de VRs aumentaria com uma opção dessas.

Já no sentido abstrato da conjuntura, esse que tanto amo, tenho a hipótese de que o MV explora como o povo tende a imaginar as Idols como um produto particular de si mesmos, como se elas tivessem obrigação de lhes agradar, sendo literalmente um produto de prazer, e por isso o garoto a vê virtualmente, não como alguém real e com sentimentos, o que ela busca quebrar no final.


No fim, Fantasy não vai ser favorita de ninguém e deve passar batida em qualquer Top de melhores do ano, mas é um competente tapa buraco até o próprio comeback do prato principal, e no mínimo deixa um belo registro visual.

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