6 Anos no K-pop, Uma Breve História

7/28/2016 0 Comments A+ a-


Pois bem, meus queridos, quem não gosta de uma história de origem, não é mesmo?! Nesse post, de cunho pessoal, vou explanar como eu adentrei na indústria do Pop Koreba de maneira intensa a ponto de hoje ter este blog dedicado ao assunto, em "homenagem" aos meus foquin seis anos como kpopper.

O texto ficou gigantesco. Visando evitar a fadiga daqueles menos acostumados a postagens grandes, e após muito refletir sobre como deveria separá-lo, decidi por dividi-lo de acordo com os anos em que vivo neste sistema capopeiro, de 2010 até então. Assim, poderão ler os comentários de uma época, e ir em seu ritmo, sem ter de consumir todo o conteúdo de uma só vez. Dá pra ir ao banheiro, comer, dormir, e depois ler outra parte sem perder a fluidez da narrativa.

Obviamente algumas informações e sentimentos foram para sempre perdidos, assim como minha interpretação e gosto se alteraram com o tempo, mas buscarei me manter o mais fiel a meu pensamento à época mencionada. Será interessante também para os mais novos no K-pop terem uma perspectiva de como era o mercado com o passar dos anos, principalmente o crescimento do fandom nacional.

Vamos lá:

A data exata nunca saberei, pois como todo vício, o contato inicial foi espontâneo e inesperado, tendo crescido progressivamente com o tempo, sem jamais o indivíduo esperar que fosse tornar-se algo tão relevante em sua vida. Somos soterrados por conteúdo a cada minuto, novos conhecimentos e descobertas, e como poderia eu, naquele Julho de 2010, em apenas mais uma tarde ociosa em frente ao meu inoxidável desktop (que hoje pertence ao meu irmão), prever que o que fora apenas um colorido, espalhafatoso e bizarro vídeo musical coreano viria a ser um verdadeiro pilar da pessoa que sou hoje?!

Me refiro a Gee, das Girls' Generation, obviamente. Como supracitado, não sei exatamente o dia, apenas me recordo de ser durante as férias de inverno do primeiro ano de Ensino Médio, com 14 anos. E ao contrário de muitos de vocês, suponho, não foi amor à primeira vista. Até então, eu me considerava um "rockeiro". Cabelo grande, infindáveis camisas paraguaias com diversos logos de bandas, como ACDC, Blink 182 e Pink Floyd estampados em desbotados tecidos. O celular era recheado de músicas "de louco", como dizia minha avó.

Como eu, então, adepto de sonoridades tão agressivas, acabei por me topar com Gee, o extremo oposto do que ouvia na respectiva idade, o exemplo definitivo do bubblegum Pop?! Sempre nutri um gosto capital pela cultura do Leste Asiático, principalmente a japonesa, fruto de uma infância fascinada e exposta aos animes matinais. Obviamente que levei essa predileção para a Internet, em fóruns, sites e vídeos no YouTube, e foi um comentário alheio de um avatar que não recordarei, mas certamente terei uma dívida eterna, que me levou ao Girls' Generation.

A impressão inicial, acreditem ou não, foi de ojeriza, desprezo. O que diabos era isso? Esses versos de "Gee Gee Baby Baby" entoados por uma miríade irreconhecível e indiferenciável de garotas coloridas com cabelos curiosos. Nem o assisti por inteiro. Entretanto, conforme ouvia os acordes de Angus Young em meu fone, meu inconsciente, teimoso, não me deixava esquecer o que eu havia visto. Logo, fui compelido, mentalmente obrigado a ir no YouTube e digitar as palavras Girls' Generation uma vez mais. E aí, para alegria da Teoria do Caos, graças ao comentário anônimo, uma vida estava mudada.

Eu demorei para realmente apreciar o que estava em frente aos meus olhos. Foi uma fascinação culposa, como se traísse o movimento que até então seguira. Alimentei o vício secretamente, relegado ao meu pequeno quarto, com vergonha, obviamente, de revelar o estilo aos meus amigos do cotidiano.

E apesar de ter adentrado no K-pop, em 2010 não cheguei a me aprofundar nessa data. A internet era mais limitada, meu inglês não era suficiente para fóruns e sites estrangeiros, enquanto o fandom nacional era praticamente inexistente. Lembro que haviam, sim, sites quase medievais onde se discutiam músicas e integrantes, principalmente Super Junior. Toda informação e conhecimento que eu adquiria na época, era proveniente dessas discussões, que eram limitadas pela pouca disposição de conteúdo. O engraçado é que até a Capricho já havia feito matéria sobre.

Os atos que descobri se resumiam aos da SM, 2NE1, Wonder Girls, T-ara, After School, Miss A e Big Bang, se me recordo bem. É válido dizer que eu era um fã em criação, não abraçava tudo e ainda vivia em um sério dilema, esperando ser apenas uma fase e com sérias duvidas quanto a gostar de tantas colorações, MVs em caixa e cabelos bisonhos.

Quem imperou em minha preferência, com larga vantagem, foram as Soshis mesmo, principalmente Jessica, que viria a ser minha utt por 4 anos, e Taeyeon, que meus leitores já deve ter cansado de ler ser chamada de "melhor voz do k-pop" por este blogueiro, e olha que os singles do grupo até então nem exigiam um grande vocal. Após Gee, me deparei com Into the New World, Genie, Kissing You, Oh, Run Devil Run e Hoot, que viria a ser lançado posteriormente. Não haviam sites pra acompanhar lives ou acompanhar anúncios. Vivi em um limbo absoluto e totalmente dependente de outros Sones e etcs.

Além do SNSD, o T-ara (com TTL e You Drive Me Crazy), Miss A (Bad Girl, Good Girl) e f(x) (Nu ABO e La Cha Ta) foram outros atos que me chamaram atenção. Desde sempre tive essa absoluta predisposição por girlgroups, quais considerava mais versáteis, surpreendentes, e sem omitir informações, mais atraentes e vocalmente agradáveis. Porém, Big Bang também atraiu-me (a despeito dos cabelos constrangedores), sendo meu boygroup favorito até hoje.

E 2NE1? A famosa rivalidade com SNSD ainda não era estratosférica, e como as 4 da YG só estouraram de vez em 2011, os blackjacks brasileiros eram tímidos e sem poder pra bater de frente com sones. Era uma interação pacífica, mas majoritariamente feminina e composta por adolescentes.

E assim eu passei os últimos 5 meses de 2010, explorando, aos trancos e barrancos, esse novo mundo, para não mais sair.

Meu primeiro início anual no K-pop, sem aquele ambiente caótico de verão e comebacks se atropelando toda semana. Como o 1º semestre costuma ser mais parado, consegui aprender mais vários sites e o funcionamento da indústria. Também enveredei no estrangeiro, na falta de endereços digitais nacionais dedicados ao assunto, como o glorioso SoshiFielde é claro, os fieis Soompi e AllKpop (que sensacionalismos à parte, é uma fonte primordial para kpoppers). Eu lembro de acompanhar - não participar - fóruns quais, infelizmente não recordo quais. Talvez seja o OneHallyu, mas desconheço sua data de criação e como conheci o site, apenas lembro de usá-lo há tempos, como se tivesse surgido na minha vida antes das memórias formarem-se.

Em 2011 eu basicamente me mantive leal aos grupos que já conhecera, cada vez mais fanático em SNSD e f(x). Porém, quem saiu de 2011 vitorioso e em alta foram as meninas do 2NE1, by far. 4 Singles fortíssimos onde todos podem ser considerados clássicos do k-pop: Ugly, Lonely, Hate You e é claro, I Am The Best. Recordo bem de sites e netizens declarando a morte de SNSD, que 2NE1 era o futuro e não tinha pra ninguém. Foi aí que os atritos ficaram realmente grandes, inclusive no Ocidente.

SNSD fez um baita ano também, com The Boys e Mr. Taxi, mas as rivais da YG tinha conceitos mais agressivos, ousados, o que atraiu muita gente enjoada do açúcar típico das soshis.

Mas o ano não se resumiu a isso. Girl's Day, após um debut razoável em 2010, ganhou notoriedade com Hug Me Once e Twinkle Twinkle, embora ainda sem adotar a áurea sexy de hoje em dia. SuJu apareceu com Mr. Simple, seu último master song, e Big Bang com Tonight e Love Song.

Conheci, após algum atraso, 4Minute, através de Mirror Mirror, minha música favorita delas. Hyuna, aliás, à época era superior em marca que seu grupo. Lançou o maravilhoso dueto Troublemaker e também o solo Bubble Pop, mas esse eu achei - e ainda acho - uma porcaria.

E enquanto T-ara vivia seus últimos momentos de paz, com a inesquecível Roly-Poly e o melhor EDM do gênero (além de me apresentar ao Davichi, com We Were In love), IU brilhou com uns trocentos releases, sendo You And I certamente o que mais obteve sucesso.

Foi também o primeiro MAMA que acompanhei (acompanhei por comentários, não assisti). Vejam os indicados e vencedores aqui para sentir a decadência em que vivemos.

Em 2012 eu já estava conformado com o destino que minha vida havia tomado. Ainda vivia com a face kpopper enrustida na internet, mas estava inteirado no bagulho. Pouca coisa havia mudado quanto aos gostos. Continuava viciado em SNSD e f(x), com suas carreiras sólidas, mas 2012 teve um fator que catapultou, alavancou o k-pop por aqui.

Estou falando daquele gordinho safado, o Psy e seu Gangam Style que virou manchete em tudo quanto é produto de mídia, inclusive no Fantástico.

Se perguntar para qualquer kpopper de segunda geração que afundou na coisa pela mesma época que eu, pode apostar que a opinião sobre Psy será negativa. Popularizou, mas ridicularizou e trouxe mais preconceito para um nicho já segregado. Ok, isso é verdade, mas foquem no popularizou, e como! Eu havia criado FB em 2011, mas em 2012 a quantidade de páginas dedicadas ao k-pop expandiu absurdamente. Fandons BR para grupos específicos e até sites, como o ainda ativo KpopNow.

E a despeito de Gangnam, 2012 entregou verdadeiros hinos do k-pop. Fantastic Baby, do Big Bang que acabou por se tornar o MV "normal" mais visto do YT (com exceção do excepcional de Psy), Every Night, de um então Nugu Exid, Cherry Blossom Ending, do Busker Buske e Alone, do Sistar.

O melhor ano - musicalmente -, porém, foi do T-ara. Sexy Love, Day By Day e a impecável Lovey Dovey. Devo ter escutado umas 300 vezes na época. Uma pena, então, que foi também o início da queda delas, graças ao caso Hwayoung.

O EXO debutou na época, mas não dei bolas e não faço ideia se fizeram algum sucesso por aqui. Única boyband que me marcou em 2012 foi o Infinite, com The Chaser. No ostracismo, surgiu o AOA. Nem lembro se ouvi Elvis então, tamanha o flop, mas deixarei registrado pois o grupo terá bastante importância mais pra frente.

f(x), antes de abraçar o experimental com Pink Tape, Red Light e 4 Walls, lançou o dubstep Electric Shock, seu hit mais conhecido. Entretanto, foi uma b-side que me chamou atenção - Beautiful Stranger, com certeza um Top 10 de minhas canções favoritas.

Foi também quando ouvi de Apink pela primeira vez, por Hush. Acho que nem fui até o fim, então seguimos.

Meu inglês já tava bem bacana e o k-pop estava em uma ascensão de estima e renome. Já era completamente inserido no ramo. Mas ainda isolado. Centenas de páginas em redes sociais, sempre com títulos no estilo (Nome do Grupo - BR) e um fandom crescente que não mais se resumia em ingênuos adolescentes sem poder de argumentação. Claro que os comentários do allkpop depõe contra, mas seria generalizar demais.

2NE1 iniciou seu declínio, muito pelo gerenciamento da YG, IU se consolidava como uma das melhores solistas em atividade, Psy aproveitou o viral com a horrível Gentleman. T-ara produziu a excelente Number Nine, mas o preconceito estava instalado. O bonde da Suzy lançou Hush, Girl's Day alterou seu panorama e disputava com os principais nomes o topo dos charts com uma mudança de conceito muito bem-sucedida, aproveitado a sexualidade e carisma das garotas para exibir muito couro em Female President e Expectation.

EXO virou um fenômeno insuportável com Growl, substituindo SuJu no coração das fãs, por mais que algumas almas obstinadas persistissem. O mesmo SuJu, aliás, realizou o primeiro - único? - big show em nossas terras. Os celebrizados do BTS debutaram. Ouvi falar, mas ignorei. Bem típico de minha pessoa. Acho que só. Não vou fingir pra vocês que sei tudo sobre o que aconteceu no lado pênis do K-pop.

Entretanto, e 2013, o K-pop se resumiu em dois nomes: I Got a Boy e Pink Tape. Viva a SM! O SNSD entregou o que é, para muitos, seu most classical hit, MV mais assistido e um verdadeiro resumão do que é o K-pop mainstream. Colorido e agitado, pra não dizer frenético. Haters ou não, o MV é maravilhosamente bem produzido, tendo ganho o prêmio de melhor clipe do Youtube no respectivo ano. Sua estrutura agitada e bagunçada formaram uma sonoridade única e inusual do SNSD, e é lamentável elas não terem seguido nesse tom, muito, talvez, pelo catastrófico 2014.

Pink Tape divide a carreira do f(x). Continuam como grupo mainstream, é claro, mas diferente de qualquer semelhante. O descaso dos engravatados com as então 5 integrantes sempre foi nítido, com promoções pífias em comparação com parceiros de estúdio e relegadas a um MV/comeback anual, mas isso ao menos permitiu uma liberdade e intrepidez inexistente com o SNSD, EXO ou SuJu. Arriscar o alternativo. Os culhões ainda estava presos pra utilizar a mais genérica do álbum, Rum Pum Pum Pum, como lead single, mas o restante é o que realmente importa: shadow, airplane, toy, step, signal. Uma experimentação quase britânica de diferentes melodias.

As soshis possuem uma relevância e significação incomparáveis em mim, mas sonoramente, eu já estava pendido para o lado da Jung mais nova.

Adivinha? Eu continuava enrustido, preso na internet, com nicks e avatares de personagens de cultura pop. No mundo real, NINGUÉM sabia que eu era kpopper. Mas 2014 foi um ano de mudanças - e tragédias. Muitas. Algumas relevantes, outras não. Foi, também, o período que mais ameacei deixar este universo.

Musicalmente, o ano foi lento. Muitos atos focados em suas discografias japonesas, e o que fazia sucesso não batia com meu gosto. Eu estava, talvez, saturado e inadaptado para a recorrente transição no K-pop.

Fandons e pontos de encontro para fãs sobravam. Inclusive o nicho kpopper estava segmentado entre rivalidades e suas próprias idiossincrasias, coisas que a inclusão digital propiciou. Se por um lado era ótimo ver sua crescente popularidade no Ocidente, por outro aquele ambiente de pertencimento e amistosidade gerais não mais existiam. Muitos da minha geração já haviam largado a barca, mas eu persisti.

Só que meu foco eram releases antigos, onde também aproveitei para preencher lacunas, como Kara, TVXQ, Wonder Girls e Orange Caramel (<3) grupos que conhecia, mas nunca havia parado para apreciar.

As faixas que bombavam eram verdadeiras decepções, inclusive o SNSD com Mr. Mr. (Divine é ótima, mas promoções foram inexistentes). Good Boy do GD com Taeyang, T-ara com Sugar Free, o combalido TVXQ fazendo de conta que ainda era influente na Coreia, Sistar e a sequência de remakes de Loving U, Apink com Luv, 2NE1 afundado em meio aos escândalos de Park Bom. Exid se rendendo às simulações eróticas com Up&Down. Nada funcionava. Até mesmo Girl's Day derrapou em seu terreno de segurança, com Something.

Por algum tempo eu estive ausente do k-pop. Sites, fóruns e whatever. Além do desânimo com o cenário da indústria, estava na terrível fase de cursinho pré-vestibular. Mas após 4 anos, eu não podia simplesmente largar o bagulho, e por isso os grupos que citarei aqui tiveram uma importância ímpar na minha permanência, e consequentemente na existência deste blog.

Orange Caramel, que entregou Catellena (e a igualmente impecável Gangnam Avenue), uma obra-prima do audiovisual. Inspiradas no Eurotrash, o trio refugado do AS, sempre conhecido pelos MVs esquizofrênicos e letras alucinadas, realizou o ápice da viagem ácida com seus simbolismos divertidos e um "Hoi Hoi Hoi" que está grudado no meu cérebro desde então. Um dos grupos com mais criatividade, talento e identidade da atualidade. É um pecado que tanto o Orange quanto o AS estejam nesse hiato indeterminado.

f(x), como sempre. Se as Soshis haviam me decepcionado profusamente, suas eternas coadjuvantes mantiveram uma qualidade inigualável. Red Light é um marco no k-pop, e talvez num panorama mais amplo, no futuro, seja um divisor de águas. Eleva o que foi I Got a Boy a outra escala. Pitadas de Industrial Music com Trap e uma melodia bagunçada, um arranjo inédito e difícil de explicar. Red Light é algo que a SM jamais faria com seus queridinhos, e por isso, apesar de ser triste o f(x) sem a valorização merecida, é um alento que estejam no segundo escalão monetário da empresa, pois é isso que possibilita a experimentação realizada. De quebra, o álbum é o melhor do k-pop. Sem hipérboles, pois já tive meus dois anos para processar o conteúdo. Milk, Butterfly, Paper Heart e Dracula. Todos mereciam promoção e MVs.

AOA. Como disse no tópico de 2012, eu não dei um centavo pra Elvis ou os comebacks até chegar em 2014. Nessa época tinha pegado o hábito de ouvir tudo que tinha acesso, mas sem expectativa alguma. Foi assim que Miniskirt e Short Hair passaram despercebidas por mim. Então, durante a promoção de Like a Cat, eu me deparei com algum photoshoot das meninas, e aí, da maneira mais superficial possível, senti uma necessidade latente de conhecer mais sobre elas, apenas pela beleza de Seolhyun, e principalmente, da ChoA (tanto que criei esse FC no Insta). No mesmo dia devo ter virado um Elvis. Todas as tracks que antes havia ignorado ou negligenciado, agora soavam boas. Da fase banda até o abraço ao Idol Lifestyle. Tudo.

Não sou um tolo de considerá-las um grupo avassalador, inovador e espetacular, mas o carisma das integrantes (o mais marcante desde o debut de f(x) ) me conquistou. Especialmente o recém-lançado Like a Cat, devo ter assistido mais de 50 vezes (pra mim é muito). O problema é que Like a Cat é de Novembro, ou seja, entre Red LightCatallena Cat, foram meses de agonia e tristeza.

Foram esses pequenos releases que dirimiram, de leve, o impacto que a saída de Jessica teve sobre mim. Não sou fanboy alienado e irracional, mas após 4 anos acompanhando o SNSD, tendo Jessica como utt, é algo que abala qualquer um. Ninguém cogitava algo assim, pois as dissidências entre Tae e Jes eram - e ainda são, de certa forma - rumores. Foi ao chegar do cursinho, após um extenuante dia, que me deparei com a notícia.

Após a confirmação da partida da Ice Queen, sofri de desilusão, frustração e negação, incapaz de aceitar o fato. Parei de ouvir k-pop por semanas, e mesmo quando voltei, revoltado com as Soshis, não toquei em sua discografia por meses, sendo que por anos ouvia dezenas de canções suas diariamente. Porém, paixão é paixão, e com o tempo, perdoei e aceitei o fato de que qualquer julgamento seria injusto. O rancor com Tae também já passou, pois amo demais a mulher para me privar da loirinha.

Ainda me incomodo por não saber realmente o que ocorreu, como todo Sone, mas seria apenas prejudicial para mim mesmo viver em um auto impedimento solitário de recorrer ao ato que me apresentou ao K-pop e propiciou tantas sensações inesquecíveis.

Quanto ao adeus do chineses do Exo, não dei bola. Só decorei os nomes dos caras após tanto ler textões tristérrimos de morte por parte dos EXOtics.

E ainda bem que resisti, pois 2015 foi épico. Toda a decepção acumulada em 2014 se reverteu em êxtase. Bons comebacks de veteranos e debuts auspiciosos como há alguns anos não se via.

Após capengar, SNSD voltou forte com 4 singles. Duas particularmente ótimas, o Urban Pop de You Think e Lion Heart, que é um resgaste aos bons tempos. Catch me If You Can e Party tenho meus receios, mas após Mr. Mr...

E se estava num verdadeiro isolamento contra ticos, Big Bang voltou com o MADE e recuperei esperanças nos homens do K-pop, principalmente com Let's Not Fall In Love, Loser e a viciante Bae Bae. Ok, Bang Bang Bang é uma coisa horrível, mas vamos falar de coisa boa.

Me perdoem os fãs de 2NE1, devem sofrer um bocado, mas nunca me importei com o grupo o suficiente para lamentar sua ausência. Apink e Sistar, outros nomes de peso que não vejo graça, continuaram em suas mesmices. Algo normal o suficiente para deixar passar batido.

O que reitero é como a balança pendeu para o lado virtuoso de qualidade. IU e o fantástico Chat Shire, Wonder Girls reformadas com Reboot. AOA e EXID com seus farofões grudentos. ChoA ainda exibiu seu talento no reggae brisado com Don't Be Shy. 4Minute saindo do marasmo com um Urban Track "violenta". Até EXO convenceu com Call Me Baby. Idem BTS e I Need U.

As Rookies me animaram muito também. Oh My Girl, TWICE e Gfriend tiveram debuts sólidos e que mostram esperança para essa nova geração no k-pop. Após sofrer com as mudanças em 2014, as abracei em 2015. É difícil, como disse em meu texto sobre o futuro do k-pop, mas para incluir novos públicos, são escolhas compreensíveis.

Como eu não escrevia sobre K-pop ano passado, meus gostos e preferências talvez sejam incógnitas para muitos, então, como destaque, deixo explícito aqui que amei, efusivamente, 4 Walls, I e Red Velvet com seus vários comevoltas.

Eu conheci Red Velvet em seu debut, afinal, é impossível viver no meio e não notar quando a SM lança algo novo. Happiness tinha seu valor, mas o problema é que Be Natural era sem alma, inspiração ou identidade. Parecia música no automático, apenas com um visual e orçamento considerável para buscar apelo público. Já 2015 finalmente mostrou para que as meninas vieram (com um acréscimo desnecessário, mas não prejudicial). Se inicialmente eram vendidas como o novo SNSD, Dumb Dumb, Ice Cream Cake e Automatic traçaram semelhanças mais evidentes com o f(x) e suas explorações sonoras. Versáteis e abruptas, mas ainda sem a mesma eficácia, o que não podemos cobrar de um ato tão novo. Com estéticas berrantes, coreografias complexas, bons vocais e integrantes muito lindas e carismáticas (e eu especialmente xonei por Irene), o Red Velvet é um dos atos que lidera a nova geração, e com força pra trazer a antiga em conjunto.

4 Walls, ah, f(x). Já deixei claro meus sentimentos com o grupo, mas realmente não senti muito a saída de Sulli. Eu possuía afeição com todas, mas a visual era a que menos gostava. Linda, sim, mas essa era sua função. Vocalmente ficava atrás de todas, e em dança igualmente. E visualmente fico com Krystal. Dito isso, Sulli sempre deixou claro sua predileção pela atuação, e a preguiça e indisposição da mesma era cada vez mais latente e nítida, o que provavelmente traria prejuízos ao grupo. Torço pra que tenha sucesso em sua carreira, mas sua falta não foi sentida. f(x) continuou, e entregou a 3ª faixa completamente distinta em 3 anos. E como sou fissurado num deephouse, ver meu grupo favorito produzir um tão bom, é revigorante.

E se pouco falei de solos até aqui, finalmente ceder o espaço denota meu apreço por I. Até que enfim, após 8 anos, uma integrante das Soshis conseguiu seu debut solo (desconsiderando as baladinhas de dorama e covers). Natural, então, que seja Taeyeon, líder e melhor voz da indústria. No documentário do SMTOWN em NY, há um vídeo de Tae no qual ela diz, abertamente, que só queria cantar, e por isso tornou-se Idol. Dança e o resto do pacote são consequências. E como os lead singles de seu grupo são "industrializados (não leia como ruins)", é ótimo ver o teor pessoal de I. Podemos ver a áurea de Tae na letra e melodia (tirado o rap xarope).

2015 foi, então, uma reforçada na transição sentida desde 2015. Alguns veteranos se reinventaram e mostraram seu valor (SNSD, Miss A, Big Bang, Wonder Girls, 4Minute, BEG), outros continuaram no topo de maneira inexplicável (Sistar, Apink), e alguns, infelizmente, sentenciaram uma morte premeditada (Kara, Rania).

De qualquer forma, a popularidade da música pop por aqui cresceu e muito com essa revitalizada conceitual, independente das reclamações de velhos como eu.

O ano em que iniciei minhas resenhas capopeiras, no que inicialmente seria um blog de cinema, mas converteu-se pelo gosto e segurança que adquiri ao escrever sobre o cenário do k-pop, e o feedback recebido. Graças a isso, vocês têm acompanhado, semanalmente, minhas impressões do que ocorre do k-pop neste ano, por isso não me aprofundarei, apenas deixarei algumas notas.

Estou decepcionado, até aqui. 2015 prometeu o que 2016 não entregou. Dos novatos, Gfriend brilha sozinha. Twice até escancara recordes, mas Cheer Up é artisticamente duvidosa (se salva no Shy Shy Shy). CLC recuso comentar. Red Velvet entregou seu pior single, mas há esperança, é claro.

No lado dos espermatozoides, as surpresas são maiores. BTS persiste em sua dicotomia sonora entre o terrível (fire) e o aprazível (Save Me), vide Winner e EXO. Alguns nugus se sobressaem, mas sabemos que nunca terão seus nomes gritados por multidões (Snuper, KNK).

O sexy concept que salvou Exid e AOA parece morto, substituído por um excesso de puritanismo virginal Aegyo Kawaii Açúcar e essas coisas. O destino é a saturação, como ocorreu com o Sexy, e quem não consegue se adaptar, flopa (Stellar, Dal Shabet, Brave Girls).

Taeyeon segue sua escalada ao nível Deus, porém falhou pela primeira vez (Starlight). Jessica e Tiffany têm bons debuts, maaaaas espero uma evolução de ambas. Luna arrebentou.

Estou sob tensão quanto ao destino de f(x), visto a falta de informações sobre a razão de Victoria ter tirado a menção ao grupo em sua descrição do Weibo. Erguei as mãos e torça para um final feliz.
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E como adoram essas listinhas de melhores e tals, vou citar o que, nesses 6 anos, me marcou. Serão poucos nomes, aquelas músicas e integrantes que dão a sensação de que descobrimos o sentido da vida e felicidade.

Faixas que realmente me marcaram nesse tempo. Daquelas que levam-nos para outra dimensão momentaneamente:

Red Light, Dracula, Beautiful Danger, Stranger, 4Walls, Genie, Into the New World, I, Dumb Dumb, Catallena, Gangnam Avenue, Like a Cat, Haru Haru, Bae Bae, Monster (Big Bang), Hate You, Lovey Dovey, Sorry, Sorry.

Essas acima, de alguma forma, são de influência indelével em mim.

Integrantes que mais me identifiquei/senti algo durante esse tempo:

Krystal, Irene, ChoA, Jessica, Taeyeon e Hyomin.

Sim, vou deixar os nomes largados de forma bem vaga, se não seria digressão e um estendimento inútil. Talvez, no futuro, comente mais sobre minha preferência.

O post ficou enorme, já vi o show do f(x) quase três vezes completas enquanto o completo, e acho que detalhei de forma sucinta e lúcida minha experiência no k-pop.

Comente suas opiniões sobre o post e como você se inseriu neste mundo. Uma história de origem sempre compensa o esforço.

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