O fim de 4Minute é triste, mas esperado. Por que aconteceu?!

6/13/2016 0 Comments A+ a-

E você achando que nada poderia ser pior que 2014.
O meu dia dos namorados já não seria lá muito bom. Não que eu me incomode de ser solteiro, é que eu teria de passar o dia estudando mesmo. Só não contava que além de uma horrenda tragédia originada pelo mais puro ódio e ignorância, em Orlando, terminaria meu domingo com a tenebrosa notícia do disband de 4Minute.

No momento que vos escrevo, o Cubo do Entretenimento ainda não fez declaração oficial alguma (atualizado com pronunciamento da Cube), como praxe das empresas, mas a informação já se apoderou da webosfera, os meios parecem confiáveis e os precedentes são óbvios demais para pensarmos o contrário. Se fosse uma inverdade, a Cube já teria se manifestado para defender sua propriedade, e a mais visível de todas: o fim do 4Minute já era esperado.

Lá no começo do ano o allkpop lançou a lista de grupos cujo contratos de alguns ou todos membros expirariam em 2016: Kara, T-ara, Miss A, Secret, Rainbow, 2NE1, f(x) e 4Minute. Destes, 1 bailou, 2 perderam integrantes e outros três dificilmente seguirão, ao menos com formação original. T-ara deve seguir ativo e 4Minute dependia do sucesso do seu próximo comeback - que no caso foi Hate.


Pois bem, esse comeback foi um fracasso. Mantendo a mentalidade Ocidental como preponderante na equação, o fã deve ficar estarrecido. "Como assim, 4Minute é um dos melhores grupos, de mais sucesso, com membros famosas". No Ocidente sim, pela América Latina principalmente, tanto que realizaram show da Argentina. O fandom no Brasil sempre foi numero e barulhento, inclusive com um dos sites mais dedicados e atualizados, batendo outros grupos mainstream. Os comentários no Youtube são outro exemplo.

Não estou dizendo que elas eram nugus na Coreia. Longe disso. Mas raramente estiveram entre o escalão principal. Na última lista do Sports Chosun, em 2015, elas frequentavam a High Society - ironicamente, junto com Secret, f(x) e Kara (risos), acima de Exid, Red Velvet, Mamamoo e Gfriend. Como mudou o k-pop neste tempo.

Para enfatizar o que estou falando, deixo aqui gráficos ultra complexos para lidarmos com bases sólidas e não achismos.

Eps

LPs


Eu sei que é a wikipédia, mas os caras têm fontes, e averiguando outros sites, são números confiáveis. Não preciso dizer o que vocês podem ver: o debut foi sólido e o grupo emplacou uma boa sequência de singles até ter o auge por 2012 - 2013, e aí a queda foi vertiginosa à lá Ayumi Hamasaki, com uma pequena subida em Crazy, mas nada realmente relevante, e o pior: a subida não teve continuidade. Pelo contrário, teve segmento no vexame Act. 7. E quando digo vexame, por favor, entendam que me refiro à vendas, não qualidade. E o que importa, afinal, são os Wons.

É natural que girlgroups vendam menos que boygroups, e com exceção a EXO e BTS, pouquíssimos atos vendem quantidades consideráveis de mídias físicas hoje em dia, mas olhar os números do ótimo Act. 7 fazem escorrer lágrimas de tristeza. Foi um flop retumbante, e um title track como Hate vender menos de 300k é fracasso total, flop, Hello Venus. Chame o que quiser. Na mesma época, 4Minute, um grupo veterano e de renome foi humilhado por Rough, do Gfriend, com 1 ano de vida, nos charts e Music Banks da vida

Claro que elas poderiam arriscar um novo comeback ou se apoiar na fanbase estrangeira, mas há outras razões para se considerar e que não sabemos, como a satisfação das garotas. Quando entram nesse ramo, elas têm aspirações, ambições, se destacar, e apesar de serem rostos conhecidos, não precisa ser gênio pra perceber como HyunA é a única do grupo a ter alguma valorização pela empresa.

Gayoon e Jiyoon possuem vozes assustadoras e poderosas, mas nunca tiveram uma chance de ao menos um projeto solo para demonstrar isso. Elas podem tentar uma chance de amadurecer artisticamente em outra companhia. Gayoon ainda pode, se quiser, seguir carreira de atriz. Jihyun também tem algum gabarito na atuação e uma voz interessante. Sohyun, bem, ela deve saber o que está fazendo.

O que acontece é que 4Minute já teve seu auge e estava ladeira abaixo. Nenhum grupo inverteu essa situação após cair em desgraça. Ou acharam outro mercado - T-ara -, ou rumaram rumo ao esquecimento até o disband - Kara. Não havia perspectiva de melhora e o apoio vindo de dentro, da empresa, com exceção à Hyuna, a única que renovou. A situação atual privilegia Aegyos, coisas fofas, e 4Minute era justamente o contrário disso tudo. Os conceitos agressivos femininos estão em desuso. Com essa contextualização, fica difícil não compreender a escolha das garotas.


Assim que a notícia se espalhou, muitos culparam HyunA, o que é um verdadeiro absurdo. Inegavelmente é a mais celebrizada do conjunto, a mais sexualizada e carismática, que entrou no gosto do coreanos. Ela já chegou com fama pelas Wonder Girls, e a Cube aproveitou o sucesso e erigiu ainda mais o nome da cantora entre os high profiles do K-pop. O nome de HyunA durante muito tempo se sobrepôs ao grupo, e possivelmente ela ainda terá alguns anos de fama pela frente, seja solo, seja via Trouble Maker, mas isso não é culpa dela. Por várias vezes, demonstrou seu carinho para com as companheiras, e se alguém é responsável por este "egoísmo" e individualismo, é a Cube, que nunca deu chances às outras integrantes.

Enfim, é uma perda terrível, mais uma da segunda geração do K-pop moderno. Como eu disse anteriormente, o k-pop está mudando, e infelizmente, atos mais antigos não têm conseguido se manter, mesmo que produzam serviços de qualidade (e putz, dá pra contar nos dedos o que foi melhor que Canvas este ano). É deprimente ver grupos que nos apresentaram ao gênero sumirem de forma injusta. É revoltante, angustiante. Estamos impotentes, e infelizmente, essa onda de despedidas deve seguir.

Encerro o post com este melancólico comentário do AKP.


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