Platinum End - Primeiras Impressões

11/09/2015 0 Comments A+ a-

platinum end death note review critica impressões bakuman
Nova Obra dos Criadores de Death Note e Bakuman


















Takechi Obata e Tsugumi Ohba são sinônimos de sucesso quando o assunto é mangá. A dupla é responsável por dois grandes hits na indústria, não apenas no Japão, como também no Ocidente - Bakuman e o fenômeno Death Note. Agora, em 2015, três anos após sua última contribuição, ambos se juntam novamente para lançar uma nova obra: Platinum End, pela revista mensal Jump Square(Jump SQ), da editora Shueisha.


De início, somos apresentados a Mirai Kakehashi, e logo nos primeiros quadros, sua personalidade é revelada. Sua turma é a de graduação e as férias estão próximas, mas enquanto seus colegas são mostradas alegres e fazendo planos, o protagonista continua sentado, uma nítida discrepância em meio ao cenário. A mensagem é óbvia: não estamos diante de alguém comum. Devido aos criadores, logo surge a cabeça uma possível semelhança com Kira, não apenas pelo isolamento, mas também pelo visual - olhar pensativo e distante, cabelos compridos. A semelhança, porém, acaba aí.

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Ao contrário do arrogante possuinte do caderno da morte, Mirai evita socializar por um motivo psicológico muito mais reais e recorrente - a depressão. Não possuindo esperança alguma no futuro ou desejo de viver, o jovem se encaminha para o topo de um prédio e planeja o fim de sua vida. Entretanto, para sua surpresa, em meio a queda é pego por Nasse, um anjo(do sexo feminino).

Em meio aos protestos de Mirai, Nasse explica que quer apenas fazê-lo feliz, e para isso, o concede dois "dons" para suprir seus desejos - asas, dando-lhe a liberdade de ir para onde quiser, e a habilidade de lançar lanças nas pessoas, fazendo com que os alvos o amem por 33 dias.

Mirai, mesmo que a contragosto, testa seus poderes, o que traz à tona uma lembrança de sua falecida mãe, e a partir disso, resolve continuar vivendo em busca da felicidade prometida por sua guardiã celestial.

Se primordialmente a história pode parecer enveredar para um caminho mais feliz, ao contar as situações que as asas e lanças ocasionariam, e as ações de Nasse para extinguir de vez os desejos suicidas de Mirai, Ohba e Obata logo afastam qualquer pensamento de que estamos diante de uma obra leve.

A arte de Obata é muito mais semelhante a de Death Note do que de Bakuman, o que já um indício de que a atmosfera será mais sombria e sinistra. A ambientação detalhada e escura segue em sintonia com o roteiro, com uma mescla de melancolia e gore, lembrando em muito Evangelion e principalmente, Mirai Nikki(inclusive na trama, mas não entrarei em detalhes pois seria spoiler).
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Takeshi Obata sabe o que faz. E é lindo de ver.


Mas o que seria de uma bela arte sem um roteiro equivalente?! Felizmente, Ohba mostra não apenas a conhecida competência, como sinais de amadurecimento. Desenrolando a trama com um desenvolvimento rápido, mas jamais sendo excessivamente expositivo ou apressado, é eficiente na criação do tom de seu universo, assim como mostra total controle nas personas que criou. Seu Mirai gera empatia quase imediata pela vulnerabilidade aparente, o que gera fácil identificação para com o personagem e seu histórico de perdas e decepções. Já Nasse, ao que tudo indica, será finalmente uma criação feminina de mérito do mangaká. Sua carreira comprova uma dificuldade para escrever mulheres fortes ou complexas, sempre sendo representadas como garotas apaixonadas e tolas - Misa e Miho não me deixam mentir. Já Nasse se mostra uma personagem  complexa e fascinante. Sua aparência esbelta e dócil apenas escode uma personalidade fria e cruel, logo desmitificando o significado casual que temos do termo anjo. Com objetivos obscuros e até egoístas, sua subserviência visa benefícios próprios tanto quanto auxiliar Mirai a encontrar a felicidade. Ambos protagonistas despertam curiosidade e anseio para com seu futuro.

Largando muitas perguntas no ar, o final deixa claro que não estamos diante de algo para pessoas com estômago fraco. O rumo que os mangakás darão para os personagens ainda é incerto e pode tomar muitos caminhos diferentes, mas seria hipocrisia negar o potencial mostrada logo no começo da jornada. O que virá a seguir é uma incógnita, apenas uma coisa é certa: Ohba, Obata, vocês possuem nossa atenção novamente.