4 Dicas Para Quem Quer Conhecer o Cinema Asiático - Parte II

11/19/2015 0 Comments A+ a-

aragaki yui cinema filmes
Você não vai encontrar este sorriso na casa do Tio Sam
Confira a parte I.

-

Pois bem, cinéfilo, como continuidade a série "Dicas do Cinema Asiático", hoje darei mais 4 indicações de filmes para você que quer sair da cúpula norte-americana, ou apenas conhecer um pouco mais sobre a 7ª arte do outro lado do mundo.

Caso esteja visitando o blog pela 1ª vez, apenas uma apresentação é necessária: eu sou apaixonado pela cultura oriental, mais precisamente, a japonesa. Porém, mesmo nutrindo especial amor pela terra do sol-nascente, não me atenho quando o assunto é minha outra paixão - o cinema. Estou sempre buscando novas obras intrigantes de outros países como Coreia do Sul e China, ambos excelentes em suas peculiaridades.

Vamos ao que interessa:

1 - Han Gong-ju, Coréia do Sul(2013) - Dirigido por Su-jin Lee.
coreia do sul filme

Difícil, polêmico e cru. Estão são os adjetivos para descrever a experiência que é assistir ao longa, daqueles que você dificilmente verá novamente - não por ser ruim, mas por mostrar uma realidade tão perturbadora exposta em frente a nossos olhos. Han Gong-ju conta história de uma jovem estudante que é vítima de estupro coletivo em sua própria casa e as consequências disso. Criticando de maneira ferrenha o conservadorismo do país, que ao invés de apoiar a jovem e sentenciar os responsáveis pela atrocidade cometida, acaba ocultando o caso e negligenciando qualquer auxílio necessário para reabilitar a saúde psicológica de quem sofre tamanha humilhação e violência. 

O diretor não poupa o público de cenas fortes, construindo competentemente uma atmosfera tensa e claustrofóbica, tornando-se cada vez mais insuportável manter os olhos tem tela, condizente com a situação da personagem vivida com maestria pela novata Woo-hee Chun. A fita lembra muito o triste e angustiante. "Depois de Lúcia". 

Uma experiência difícil, mas daquelas inerentes e essenciais para expandir nossa visão e senso crítico de algo tão inadmissível.

2 - Kairo, Japão(2001) - Dirigido por Kiyoshi Kurosawa.
kairo filme

 Fruto da inesquecível safra de filmes de horror japoneses do início do século, Kairo, dirigido pelo experiente e versátil Kiyoshi Kurosawa(não relacionado a lenda Akira Kurosawa) é um dos maiores expoentes de sua época.

Por todo Japão - e provavelmente do mundo - pessoas estão sumindo e cometendo suicídios em massa. Em meio a tudo isso, vemos a trama de Kawashima, um garoto que resolve explorar a internet e acaba se deparando com mórbidas imagens de pessoas isoladas e assustadoras.

Plot confusa, você deve estar pensando. E é mesmo, pois contar mais seria entregar spoilers, o que seria particularmente prejudicial quando falamos de uma película nesse estilo. Apesar de vendido no ocidente como um simples terror oriental, tentando pegar a fama de Ju-on e Ringu, Kairo é muito mais do que isso.

Kiyoshi utilizada de forma inteligente o contexto de revolução tecnológica por qual a sociedade passava na virada do século, e de forma pressagiaria, argumenta narrativamente algo que estamos cansados de ouvir - como o uso compulsivo da rede acaba por tornar as pessoas isoladas e distantes de relacionamentos reais. O diferencial é mesmo o diretor, que consegue elaborar toda essa crítica ao mesmo tempo em que nos brinda com um interessante e eficiente horror japonês: ambiente sujo, fechado, suburbano e quase sempre filmado emerso em sombras.

Uma boa pedida para quem busca não apenas um bom filme do gênero, mas um exercício para o cérebro.

3 - Zona de Risco, Coreia do Sul(2000) - Dirigido Por Park Chan-wook.
coreia filme

Dirigido por Chan-wook Park(Oldboy, Lady Vingança, Segredos de Sangue), Zona de Risco é uma pérola inestimável do cinema coreano, injustamente encoberto pela laureada trilogia da vingança de seu realizador.

O filme começa nos mostrando a investigação da morte de dois guardas de fronteira norte-coreanos, supostamente assassinados por um soldado da Coreia do Sul. Os fatos são obscuros e conforme a trama avança, descobrimos os reais motivos de tal tragédia.

Já é de conhecimento geral as desavenças entre as duas Coreias, que teoricamente se encontram em guerra até hoje, e como é frágil sua relação. Utilizando deste contexto, o genial Chan-wook constrói uma envolvente e triste fábula sobre amizade, simples assim. Contando com um brilhante elenco(
Lee Byung-hun, Song Kang-ho, Yeong-ae Lee), o cineasta, que estava em início de carreira, já demonstra grande domínio daquelas que seriam suas principais virtuoses - como o perfeccionismo ao executar cada tomada - e entrega uma história singularmente melancólica e bela. Ao mesmo tempo em que exalta o espírito de altruísmo e amizade presente nas pessoas, por mais diferentes e rivais que sejam, não deixa de lamentar como o poder e ganância poem tudo a perder, sobrepondo-se aos sentimentos humanos.

Com um final dos mais sensíveis que tive o prazer de ver, Zona de Risco é a fita mais palpável e simples de alguém que se tornou famoso pelo excesso de violência e descrença ao mundo. Imperdível para qualquer pacifista que ainda crê na bondade mundana.

4 - Viver, Japão(1952) - Dirigido Por Akira Kurosawa.
cinema oriental

Kanji Watanabe(Takashi Shimura) é um burocrata que passou grande parte de sua vida enterrado no trabalho, negligenciando não apenas sua família, como pessoas em geral, jamais mostrando interesse em ajudá-las. Um dia, porém, descobre que tem câncer terminal, e a partir daí, após refletir sobre sua existência miserável, resolve dar um novo sentido para o resto de seus dias.

A trama não é nada inovadora, mas nós não estamos falando de um filme comum. Nós estamos falando de um filme de Akira Kurosawa, para este blogueiro, o maior cineasta de todos os tempos.

Kurosawa transforma o que poderia se tornar um melodrama agridoce de remissão em uma trama complexa e reflexiva sobre o legado que deixamos em nossa passagem física pelo mundo. Com seus enquadramentos subjetivos e fluídos, o diretor também evita o maniqueismo, assumindo que a responsabilidade para o decorrer de nossas vidas é dependente apenas de nós mesmos, a forma como agiremos e olharemos para os outros.

Uma obra-prima destacável na filmografia de alguém que possui mais de uma dezena de longas consagrados.


E aí, curtiu da lista? Eu gostaria de ter sido mais seletivo nas escolhas. Infelizmente, o tempo tem me limitado muito, e devido a isso, tenho tido pouco tempo para pesquisar novos filmes, priorizando alguns coreanos e japoneses que já estão na lista do "quero ver";

Independentemente, aproveitem!