Review - Orange, mangá de Takano Ichigo.

10/02/2015 2 Comments A+ a-

Alerta Spoiler: Só leia o texto a seguir caso tenha finalizado toda a obra Orange. Do contrário, assuma por conta e risco os detalhes revelados.

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orange manga
Orange(2012-2015), de Takano Ichigo.
 “Se você chorar sozinho novamente, ou até mesmo chegar a um momento em que você ache doloroso demais apenas viver, então eu prometo que te salvarei, de novo e de novo."

Que tipo de vida viveríamos se algum dia recebêssemos uma carta do futuro, contando nossos maiores arrependimentos? Orange foi um belo exemplo disso. O mangá, que conta a história de Naho, uma menina do colegial que um dia recebe uma carta dizendo que irá entrar um novo aluno em sua classe, e que ela se arrepende de não poder tê-lo salvo, chegou ao seu final após 22 capítulos e nada além do esperado nos últimos momentos com aquelas personagens, porém mais do que satisfatório.

Sejamos sinceros: todos temíamos que o final de Kakeru se repetiria, mas todos sabíamos que não seria o ocorrido. Isso não impediu que a história perdesse nenhum ponto no desenrolar da trama: cenas emblemáticas e diálogos de quebrar o coração não faltaram. O que foi aquela cena na sala de aula em que a Naho e o Suwa conversam com o Kakeru sobre os pensamentos suicidas do rapaz?
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Naho e Kakeru.
 Acho que um conceito interessante que foi desenvolvido através dos capítulos, foi a ideia de que o futuro mais amplo realmente poderia ser mudado alterando pequenas coisas do cotidiano. Apesar de correr para a solução mais óbvia (e a única também) – universos paralelos – o mangá consegue falar bem disso. Claro que foi possível mudar uma coisa ou outra, mas a morte da mãe e a primeira tentativa de suicídio foram suficientes para instaurar uma dúvida necessária para continuarmos lendo a história.

Mas o ponto mais forte da história inteira é a amizade. Como esses personagens estão dispostos a tudo para salvar o amigo, que de início pouco conheciam. Suwa, por exemplo, faz um dos maiores sacríficos para a felicidade geral da nação, mesmo sabendo da dor que isso vai lhe causar. E todos os outros estão sempre de prontidão para darem o seu melhor para salvarem o Kakeru.  Orange é um belo retrato de uma amizade provada por situações extremas.
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O desenvolvimento do relacionamento entre os personagens é um dos pontos fortes do mangá.
Outro ponto interessante do último capítulo é como o suicídio, no final, não aconteceu apenas por uma escolha do Kakeru. Seria fácil colocar alguém para salvá-lo e forçar todo um drama de “não sei o que eu estava fazendo, desculpa”, mas o personagem quase cometeu o ato (aliás, eu esperava que ele morresse. Não conseguia ver um final aceitável com ele continuando vivo) e o próprio desistiu, nos mostrando que todas aquelas pequenas mudanças diárias – a comida preparada por Naho, o time de futebol – foram, sim, importantes para o personagem. Divagando um pouco, mas nos faz pensar o efeito de pequenas coisas do cotidiano na vida das pessoas a nosso redor.

Mas como dito anteriormente, o final dessa linda história não foi nada além do esperado. Foi bom? Claro. Acompanhar o desenvolvimento desses personagens e o desenrolar da história foi prazeroso e cheio de altos e baixos (emocionalmente). “Kakeru, não morra. Eu não quero perder você.” Chorei. E quando a Naho pensa: “Até mesmo quando ele está triste, ele sorri como sempre. Mas o que “sempre” significa? Ele tem sorrido dessa forma desde que eu o encontrei pela primeira vez. E eu não notei sua tristeza por trás daquela face sorridente. Algum dia eu quero ver o Kakeru sorrir. De verdade.” Opa, olha só outro cisco.

No fim, é uma história sobre culpa e arrependimento. O que deveríamos ter feito, mas não fizemos. O que não deveríamos ter feito, mas acabou acontecendo. O Suwa diz, em certo momento, para  Kakeru: “Pare de sentir arrependimento. Você não fez nada errado.” E é a maior verdade. Esse arrependimento de todos os personagens, no fim, não pode resolver nada (até mesmo no caso das cartas, o que foi resolvido foi em outro universo paralelo e que provavelmente aconteceria naturalmente, sem as cartas, em algum outro universo). Não há certo ou errado no passado para eles. Foi o que aconteceu e ponto. Lidar com isso, claramente, é o problema.


Texto do colaborador Gabriel Pimentel, membro e editor do melhor Podcast Potterhead do Brasil, o Pottercast.

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Notas do Editor:

 - Apesar de (infelizmente) nenhum estúdio ter arcado com a responsabilidade de adaptar o mangá para uma versão em anime, podemos ao menos nos alentar com um live action, com lançamento previsto para 12 de dezembro, no Japão. Assista o teaser clicando aqui.

- O mangá ganhará distribuição nacional através da editora JBC, que ainda não divulgou previsão de lançamento, o que deve ocorrer ainda no segundo semestre de 2015.

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