Crítica - Nocaute(2015).

9/19/2015 0 Comments A+ a-

Nocaute(Southpaw), dirigido por Antonie Fuqua.


O boxe já proporcionou excelentes filmes em Hollywood. São clássicos já laureados como Rocky(1976), Touro Indomável(1980) e para citar os mais recentes, temos Menina de Ouro(2004), o subestimado A Luta Pela Esperança(2005) e O Vencedor(2010). Agora, em 2015, é a vez de Nocaute abordar o gênero, dessa vez pelas mãos do diretor Antonie Fuqua e do roteirista Kurt Sutter.

Ao contrário das obras citadas acima, Southpaw não foi criado para marcar época. É claramente uma obra com foco no entretenimento, feito para atingir o público através de suas cenas fortes e por vezes, melodramáticas. Assumindo sua falta de pretensão e aceitando a trama simples e recheada de clichês, entretanto, torna sua experiência muito mais eficaz e divertida, e se foi isso que o diretor quis nos apresentar, por que não aceitar?!

O irregular Antonie Fuqua(Do impactante “Dia de Treinamento” ao desnecessário “Invasão a Casa Branca”) mostra aqui as principais marcas de sua carreira: Direção tremida, agressiva e com muitas cenas locadas em subúrbios, que aliados a trilha sonora recheada de Hip Hop e a fotografia cinzenta de Mauro Fiore(contribuidor frequente de Fuqua), criam um clima sujo e reforçam o ambiente “das ruas”.

A trama já é batida, mas a despeito disso, continua conquistando o público com a velha história da volta por cima: Boxeador arrogante perde tudo, é deixado para atrás pelos “amigos” e perde a confiança de sua família(ou o que resta dela). A partir disso, o herói deve buscar uma redenção, redescobrindo seus conceitos e indo de encontro as origens e humildade para então, de forma triunfal, voltar ao topo como um novo homem. Nada inovador ou surpreendente, de fato, mas é aí que surge o talento da equipe técnica e principalmente, do elenco, os principais responsáveis por nos manter envolvidos em sua história por mais de 120 minutos.
Relação entre o boxeador Billy Hope e sua filha é um dos pontos fortes do longa.


Porém, nada disso iria funcionar sem a força do elenco. A química entre o trio formado por Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams e a mirim Oona Laurnece é essencial para gerar verossimilhança em sua relação familiar, sendo convincente em mostrar os sentimentos que sentiam um pelo outro e tornar contundente o evento que desenrola todo o enrendo.

O ator, que a cada ano expande mais seu talento e versatilidade, entrega uma interpretação a frente da obra. Além da entrega total ao papel, trabalhando meses para atingir o físico de um boxeador real(6 horas por dia, durante 6 meses), suas expressões vão da selvageria ao arrependimento e dramaticidade de maneira natural e competente, e junto com seu enorme carisma, traz o espectador para seu lado imediatamente, o que é imprescindível em um filme como este.

O relacionamento entre Jake e a pequena Oona é outro trunfo de Southpaw. Apesar da pouca idade e experiência, a atriz atua de modo orgânico e esbanja talento, tanto nos momentos cômicos quanto nos de ternura e principalmente quando exigido mais alcance dramático.
A atuação de Jake Gyllenhaal é o destaque do filme.

A jornada de remição segue a estrutura convencional: o fundo do poço é atingido quando aceita um emprego para limpar banheiros em um ginásio, em troca do treinamento de Tick WillisForest Whitaker bancando o ancião, sábio e solitário – a busca para retomar o amor de sua filha e a esperada chance de ouro para mostrar as mudanças ocorridas durante sua ausência dos holofotes. É um desenrolar previsível e manjado, mas mesmo assim, eficiente.

As cenas do treinamento, acompanhadas da estimulante canção do rapper Eminem, assim como os closes lentos do diretor, servem para criar toda a atmosfera de catarse do desfecho, a luta climática que decidirá o futuro do protagonista. Você sabe como o término vai ser? Sim. Independente disso, é interessante e incontrolável o desejo de vibrar e sentir-se nervoso pelo personagem de Jake.

A luta conclusiva, aliás, tem na direção e edição seus principais méritos, já que a trilha sonora do saudoso James Horner, artifício quase sempre usado para embalar este tipo de ação, é praticamente inexistente durante a troca de socos. Os cortes frenéticos e filmagens em estilo televisivo aumentam sua tensão, e em seu final, como não sorrir com o golpe fatal, que é, como sempre, executado em slow motion, com suor e sangue jorrando para todo lado. É o magnético poder do filme espetáculo, e ao fazer um, saiba escolher um bom elenco.

Nota: 6.