Os Animes que Marcaram Minha Infância - Naruto

9/21/2015 0 Comments A+ a-

O Último Grande Anime da TV Aberta Nacional.

Certamente o mais recente anime a marcar minha infância, mas não menos importante. Naruto talvez tenha sido o último anime a fazer um grande sucesso na TV aberta brasileira, antes do domínio total dos fansubs. Não foi um estrondo comparado a Dragon Ball ou Cavaleiros do Zodíaco, mas certamente teve seu valor, criando uma boa e nova geração de fãs de mangás e animes.

A adaptação do laureado mangá de Masashi Kishimoto estreou no Japão em 2002, e apesar da obra chegar com tudo no Brasil apenas em 2007(tanto o mangá, pelo selo Planet Mangá, da Panini, quanto anime, no Cartoon e Sbt), a história do ninja de cabelo amarelo já era conhecida por aqui pelo nicho "otaku", através de revistas do gênero, como a Ultra Jovem e Anime Do, que já comentavam sobre o sucesso de Naruto no Japão, tornando-o assim umas das primeiras obras a chegarem com um pequeno anseio do público.


Revistas Anime Do falando sobre o sucesso do anime.

Naruto começou a ser transmitido no Cartoon em janeiro de 2007, mas foi em Julho, ao chegar no Sbt, que sua fama começou a aumentar consideravelmente. O sucesso foi tanto que o anime chegou a liderar a audiência de seu horário. Foram mais de 3 anos de transmissão ininterrupta, muitos números de Ibope e mais ainda de reprises(o canal passou até o fim da 3ª temporada, antes dos intermináveis fillers). Também haviam muitos produtos licenciados, como kunais e bandanas de plástico. Em seu auge, foram produzidas shurikens de brinquedo que serviam como brinde de salgadinhos.
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Nos anos dourados, Naruto esteve presente até no Supermercado.
Como toda "febre" que se preste, o anime virou alvo de discussões: "qual seu personagem favorito?" e "qual o melhor jutsu?"(eu, particularmente, gostava de Sasuke e seu chidori, apesar do jeito marrento). Lembro que voltava correndo da escola(estava no fundamental) para acompanhar as lutas e dramas do anime. Outro fato pessoal é que como costumava brincar sobre, eu tinha, atrás da porta do armário, umas 3 ou 4 folhas com nomes e descrições de vários jutsus e ninjas. Uma época saudosa e que tristemente, não voltará mais.

Infelizmente, após o auge, vem a queda. Entre 2007 e 2010, a emissora de Sílvio Santos cometeu o erro mais primário possível, algo que assola os animes na tv aberta brasileiro há muito tempo: o desgaste de imagem gerado pelo excesso de reprises. Naquela época, o acesso a internet era fácil, e com a quantidade de fansubs e e sites especializados cada vez maior, tornou-se mais conveniente e fácil seguir Naruto por streaming/downloads.

A retirada de Naruto da programação simbolizou também o fim da era dos animes na TV aberta, algo que se tornou apenas questão tempo, devido a quantidade de fansubs e sites que proliferavam na Internet. Apesar de seu melancólico fim, é fato a importância que o ninja representou, pois estimulou o mercado nacional de mangás e games, sendo uma das primeiras franquias do gênero a ter seus jogos licenciados e distribuídos em nossa terra. E acima de tudo isso, foi responsável por criar toda uma nova geração de fãs de mangás e animes, muitos que acompanham o ninja loiro até hoje.
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Ultimate Ninja 2 e 3, dois dos primeiros jogos da franquia a chegar em nosso país. Passei muitas tardes com esses dois :D.
Apesar do foco na ação(estamos falando de um shonen), é injusto que algumas pessoas o considerem inferior devido a isso, pois Naruto possui um lado complexo muito bem construído. Aborda temas como solidão, discriminação, preconceito, negligência paterna e egoísmo, todos de maneira contundente. 

Além das feridas que toca, o anime fala muito sobre amizade e determinação, batalhar para atingir seus objetivos, não desistir na falha. Pode parecer algo bobo e clichê, mas é de suma importância que obras que possuem muitos espectadores em formação tenham mensagens positivas, não de forma didática, mas natural, orgânica e divertida, algo atingido com maestria aqui.

A trilha sonora composta por Toshio Masuda merece destaque. A quantidade de boas canções é grande, tanto dramáticas quanto épicas. Composições como Grief and Sorrow; Sadness and Sorrow; Loneliness e Snaying Necklace servem como exemplos disso. São belas e emocionantes músicas, engrandecem e muito a qualidade do anime e das cenas em que tocam, tudo isso sem soarem apelativas.

Outro trunfo da criação de Kishimoto são os personagens. A versatilidade é enorme, e a grande maioria possui seu momento de glória, algum desenvolvimento, tornando-os mais reais e factíveis, algo que facilita que nos identificamos e importamos para com eles. A tímida, apaixonada e cativante Hinata; o determinado Lee; o preguiçoso, brilhante e leal amigo Shikamaru; o orgulhoso Neji; Choji; Ino. Os mestres, Jiraya, o velho tarado; Kakashi, Iruka, que tanto teve importância no crescimento de Naruto, todos eles têm seus medos, anseios e desejos revelados e desenvolvidos na série, assim como suas personalidades e caráter. Todos sofrem alguma modificação durante a saga, algo essencial para uma obra que almeje o sucesso, e Naruto o têm, afinal, ninguém se torna o 3º mangá mais vendido de todos os tempos sem mérito.
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Quantidade de personagens interessantes e bem construídos é um dos fatores que se sobressaem em Naruto.
De fato, existem muitas obras melhores e mais complexas, mas poucos shonens atingiram tamanho êxito mundo afora, poucos tiveram personagens tão cativantes, um roteiro tão criativo, uma trilha sonora tão bela e mensagens tão importantes, tudo isso sem deixar de ser divertido e épico.

Naruto foi de tamanha importância para mim, que ainda hoje o acompanho, já tendo finalizado o mangá e agora esperando seu término no anime. Como muitos dizem, é uma lástima que o estúdio Pierrot tenha deixado a ganância falar mais alto, e ao invés de manter a obra fiel, encheu de filler, o que afastou muito do público durante os mais de 10 anos em que está na TV. Apesar disso, daqui alguns meses, as quintas-feiras terão um gosto mais amargo do que o habitual.

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E aí, Naruto também fez/faz parte da sua vida?


Dattebayo!