Crítica - Mad Max: Fury Road(2015).

8/18/2015 0 Comments A+ a-

Mad Max: Fury Road(Mad Max: Estrada da Fúria), dirigido por George Miller.
Não tenho familiaridade com a trilogia original de “Mad Max”, portanto, não sabia o que esperar desse “reboot”, assisti os 2 primeiros da franquia, porém, pouco lembro, apenas que achei decepcionante, devido ao seus status cult. Minha falta de expectativa se deve também ao fato de ter seguido meu protocolo de evirar trailers, para poder “degustar” do filme em seu máximo. Infelizmente, mesmo sem expectativas pré-concebidas, não consegui apreciar essa nova empreitada de Miller no universo pós-apocaliptico onde vive seu personagem título.

O 1º aspecto que me incomodou foi o que mais parece ter agradado a muitos, sua
insanidade deliberada. Não sou um desses que defente apenas a integridade cultural de filmes cults, sendo um grande apreciador de blockbusters, mas o tom propositalmente afetado de tudo que aparece na tela, os personagens e seu figurino, o roteiro, os carros e o design de produção como um todo, se completam nesse aspecto, acaba fatigando, por mais promissor e divertido que tenha parecido no início.

E aí chegamos ao roteiro, mas ele existe? Quer dizer, existe uma linha tênue entre um roteiro ruim e um roteiro pouco complexo, porém, a vagueza da trama de “Mad Max”, sua repetição e situações resolvidas no famoso “Deus Ex-Machina” acabam, na minha opinião, o colocando na 1ª categoria. São 2 horas de corrida, e por maior que seja o talento de Miller em filmar ação, se torna cansativo e automático, as cenas perdem o “WOW” de surpresa e empolgação, e assim como Avengers 2, cai no erro de tentar, a cada frame, criar algo mais grandioso e absurdo, o que prejudica muito a proposta principal do filme, que é obviamente a ação.



O roteiro falha também em relação aos personagens, por que o filme se chama Mad Max? Parece muito mais um spin off estrelado pela personagem de Charlize Theron, que assim como todas as mulheres em tela, roubam a cena. Sim, estamos diante de uma obra que passa tanto no teste de “Mako Mori” quanto no de “Bechdel.” Não tenho nenhum problema com isso, mas sinto que assim como o Karate Kid estrelado por Jackie Chan, no qual se luta Kung Fu, o nome foi apenas escolhido para trazer mais bilheteria, pegando carona em um personagem já conhecido, não correndo o risco de cometer um fracasso ao apresentar uma nova personalidade. Tom Hardy é um excelente ator, dos melhores da atualidade, mas o cara não tem quase nada a fazer em tela, poderia facilmente não estar ali, infelizmente, o fabuloso ator não teve muito com o que trabalhar.

Quanto aos vilões, o único que recebe um certo destaque é o personagem de Nicholas Hoult. No entando, o desenvolvimento é nulo, sendo que suas motivações e atitudes mudam de uma forma extrema repentinamente, tornando impossível a identificação(eu pessoalmente torci para que ele morresse várias vezes). Quanto aos outros, apesar da criatividade visual, são todos irrelevantes, sendo difícil lembrar seus nomes, sendo apenas caricaturas, servindo de desculpa para colocar mais cenas de ação megalomaníacas no filme.

Em relação a parte técnica, a fotografia, que inicialmente parecia uma novidade em relação aos filmes do gênero, logo se tornou um motivo para dor de cabeças, sempre o mesmo tom avermelhado, assim como as sucessivas explosões e sua trilha sonora agressiva.

Enfim, talvez eu não tenha o “espírito” Mad Max, já que 90% de vocês parece ter adorado o tempo que passaram no cinema. Mas avaliando artisticamente, acho difícil gostar de algo com os defeitos que apontei acima, uma decepção, uma pena.