Review - Kumiko, The Treasure Hunter(2014)

8/02/2015 0 Comments A+ a-

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Kumiko, The Treasure Hunter(Kumigo, a Caçadora de Tesouros), dirigido por David Zellner.
Kumiko: The Treasure Hunter é um filme precioso, uma obra singela e introspectiva que fala, em minha opinião, sobre tristeza, solidão, depressão e sentimentos afins. A personagem, magnificamente construída pela talentosa Rinko Kikuchi(em sua melhor atuação desde Babel), se sente deslocado no mundo, de postura curvada, expondo sua fragilidade em relação a tudo que a cerca.

Kumiko não mantém relação íntima com nenhuma pessoa, não se sente confortável na presença de ninguém, despreza seu trabalho, vive vazia, sem objetivos e sonhos, atormentada pela sua solidão, algo evidenciado na tocante cena em que toda animada, liga para sua mãe em busca de um diálogo caloroso, porém, está apenas se mostra preocupada em saber se ela encontrou um marido, totalmente indiferente a felicidade de sua filha, e o olhar de Kumiko, que começara com um semblante sorridente, vai voltando a melancolia habitual.

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Tudo muda quando encontra uma fita cassete antiga de Fargo, clássico americano dos anos 90, e após ficar fissurada no longa, decide embarcar para os EUA repentinamente, atrás do tesouro enterrado pelo personagem de Steve Buscemi na fita dos Coen. Apesar de parecer uma plot absurda(mesmo baseada em fatos verídicos), acho relevante salientar que a protagonista não foi apenas atrás do tesouro, ela estava desgastada de sua vida, sua rotina vazia e monótona, a ida a América foi uma fuga de si mesma, em busca de um sonho e objetivo.

Durante a viagem, qual ela buscava novos ares e encontrar um rumo, sua frustração apenas aumenta devido aos contatos que encontra em sua jornada, onde Kumiko realmente percebe o quão deslocada está no mundo.

E quando nada parece ter sentido e viver se torna um fardo(vale lembrar que a obra é baseada em fatos reais), a morte torna-se um sonho, e é isso que acontece com Kumiko, que apenas no fim de sua vida encontra a felicidade, seu objetivo realizado e o reencontro com a única criatura com a qual tenha tido alguma relação carinhosa(seu fofo coelho), e assim, através da única maneira possível, enfim sente a alegria e “vida” que tanto almejou.

Nota: 8.