4 Dicas Para Quem Quer Conhecer o Cinema Asiático - Parte I

8/26/2015 3 Comments A+ a-

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Nem só de Kurosawa vive a 7ª arte na Terra do Sol Nascente.

Eu sempre fui um entusiasta da cultura oriental, mais precisamente, a japonesa. Tudo começou nas manhãs assistindo a TV aberta(no saudoso início dos anos 2000), pois entre todos os programas, nada me interessava mais do que os animes. InuYasha, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Super Campeões, Pokémon e muitas outras obras foram responsáveis por me introduzir neste mundo. O tempo foi passando e eu fui aprofundando minha paixão, não restringindo-me mais apenas aos animes e mangás, mas também a literatura e cinema orientais, e apesar de manter um interesse maior na terra do sol nascente, fui descobrindo o entretenimento rico e fabuloso de países como China e Coréia do Sul.

Hoje, com mais bagagem, tanto de vida quanto cinematográfica, me atrevo a dizer que o cinema oriental é, além de meu favorito, o mais completo do mundo, servindo de forma eficiente e inovadora em todos os gêneros possíveis, apresentando obras que agradam tanto os fãs de fitas mais minimalistas quanto os de filmes pipoca.

Mais futuramente planejo descrever melhor minha relação e opinião para com a cultura pop oriental, pois neste post tenho apenas como intuito apresentar 4 filmes - de gênero distintos - para introduzir aqueles que buscam explorar novos ares cinematográficos. Vamos lá!



1 - Cinco Centímetros por Segundo, Japão(2007) - Dirigido por Makoto Shinkai.
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As animações japonesas já são idolatradas mundo afora, muito pelas proezas do Estúdio Ghibli, entretanto, não só a ele devem ser atribuídas as boas obras do gênero, pois em sua curta filmografia, Makoro Shinkai já realizou filmes com um esmero genuíno que em nada devem as obras do mestre Hayao. Os longas do diretor são mais focados em personagens, explorando de uma forma extremamente dolorosa sentimentos inerentes as pessoas, e como estes podem moldar toda uma vida, causando dor e angustia por anos sem fim, deixando explícito como somos reféns de nossas sensações. 5 Centímetros por segundo(Byôsoku 5 senchimêtoru), para este que vos escreve, a melhor película do diretor, é exatamente a síntese do descrito acima. Além de um roteiro primoroso, o longa é um deleite técnico, com uma paleta de cores suave belíssima, uma fotografia melancólica que além de ser relacionada com o que vemos em tela, conversa com o expectador de uma maneira ímpar. Destaque também para a trilha sonora, muito simplória e agradável.


Considero este um daqueles filmes que são bons como obra em si, podendo ser admirado independente do contexto qual assistido, mas é inevitável assumir que ele vai ser muito mais contundente para quem passou - ou passa - por experiências semelhantes. Uma obra prima.

2 - Pais e Filhos, Japão(2013) - Dirigido por Hirokazu Koreeda.
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Apesar de ser um dos diretores mais talentosos e cultuados da atualidade, tendo acumulado diversos prêmios internacionais, além de ser o maior expoente do cinema moderno japonês, Koreeda é um desconhecido do grande público. Muito disso se deve, é claro, de vir de uma escola cinematográfica pouco divulgada no ocidente, além de ser um diretor de dramas pesados e reflexivos, gênero de nicho e pouco apreciado por grande parte do público "comum" dos cinemas.

Em sua brilhante filmografia, Hirokazu destaca-se pela forma como destrincha, desconstrói e explora as relações familiares e de gerações, mostrando situações e problemas que não limitam-se a seus conterrâneos de olhos puxados. Apesar de não possuir nenhum filme que não seja, no mínimo, bom, é inegável que Pais e Filhos(Soshite chichi ni naru) é sua obra mais cultuada, tendo sido premiada no festival de Cannes, em 2013.

A película fala sobre duas famílias que descobrem, tardiamente, que tiveram seus filhos trocados na maternidade, e o problema é que as crianças já encontram-se numa idade em que desenvolveram laços com seus criadores, e o longa vai justamente desenvolvendo o processo dos casais ao tentar decidir de devem ou não trocar os pequenos, mostrando as angústias e dilemas dessa escolha de dar inveja a Sofia.

Vale ressaltar que o cinema de Koreeda é construído de uma forma clássica; lento e minucioso, o que ajuda a tornar os fatos e seus personagens críveis, tornando possível uma identificação com os mesmos, além de nos perturbar ao trazer um tema como esses à tona. Afinal, o que faríamos na mesma situação?!

3 - Conflitos Internos, Hong Kong(2002) - Dirigido por Andrew Lau e Alan Mak.
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Simplesmente a obra que inspirou Scorsese a dirigir "Os Infiltrados", que o premiou com seu primeiro Oscar. Por ter inspirado um diretor consagrado a criar um de seus mais primorosos longas, eu esperava que o original já fosse mais conhecido, porém, ao fazer uma curta pesquisa, me deparei com a situação contrária, pois além de pouco conferido, muitas pessoas não sabem que a fita de Martin é um remake americano de um brilhante filme de Hong Kong.

Apesar da plot ser essencialmente a mesma, engana-se quem pensa que não vai apreciar Infernal Affairs por ter menos surpresas, pois apesar da genialidade e glamour do remake Hollywooadiano, tem algo que o original possui como trunfo, algo que nem mesmo Scorsese conseguiu copiar; o clima de tensão e mistério. A fotografia é mais escura e sombria, assim como as locações de subúrbios. Mesmo sendo fã do trabalho dos atores em "The Departed" é necessário destacar como o elenco do original atua de forma muito competente, não devendo em nada para as estrelas que tanto conhecemos.

Com uma ambientação muito mais sombria, um ritmo frenédito e ágil, contando com cenas de ação de dar inveja a Michal Mann, Infernal Affairs é uma das mais completas películas de ação e thriller policial, sendo essencial para a lista de qualquer cinéfilo.


4 - Always, Coréia do Sul(2011), dirigido por Il-gon Song.
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Os romances orientais, principalmente os japoneses e sul-coreanos, são os mais belos e singelos da atualidade, e apesar de seguirem um certo padrão, sempre há algo de agradável e magnético nas obras do gênero, que por vezes, apesar de uma história com final previsível, acaba por ser muito divertido e gostoso de se assistir. O ponto forte desses romances é a construção do casal principal, sempre feita de modo orgânico e paulatino, mantendo um bom ritmo, sem soar forçado ou inverossímil.

Always se destaca justamente pela química do casal protagonista, focando na relação de uma deficiente visual(a linda e talentosa Han hyo-Joo) com Cheol-Min, um ex-pugilista que vive de forma vazia e sem objetivos, ganhando a vida com trabalhos de meio turno.

Como dito anteriormente, os longas orientais desse gênero seguem um certo padrão, e após ter conferido vários exemplares, é possível notar que muitas fórmulas de repetem, e é surpreendente como Always consegue parecer inovador, não apenas por não ser tão emocionalmente manipulador(apesar de ter seus momentos), mas também pelas personalidades cativantes dos protagonistas, que tem seus dramas e histórias explorados e desenvolvidos de forma natural e calma.

A obra é um prato cheio para quem gosta de filmes dramáticos de romance, conta com uma direção competente, uma trilha sonora linda e fotografia deslumbrante, além de uma química invejável entre os personagens.



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Espero que tenham gostado do post, e caso tenham se interessado por alguma da obras e tenha encontrado dificuldade em encontrar o longa, podem entrar em contato que tentarei ajudar. Em breve, farei outro post com mais dicas de filmes orientais, expandindo para outros gêneros(caso tenha algum pedido de gênero específico, só deixar nos comentários). Aproveite e boa diversão!

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